2. “Cadeira do dragão”: uma cadeira pesada, na qual a vítima era presa para
o recebimento de choques elétricos, com uma trava empurrando suas
pernas para trás, e na qual as pernas batiam com os espasmos
decorrentes das descargas elétricas.216
3. “Palmatória”: é a utilização de uma haste de madeira, com perfurações na
extremidade, que é arredondada. É usada de preferência na região da
omoplata, na planta dos pés e palma das mãos, nádegas, etc., causando o
rompimento de capilares sanguíneos e ocasionando derrames e inchaço,
que impedem a vítima de caminhar e de segurar qualquer coisa.217
4. Afogamento: uma das formas mais comuns, que consiste em derramar-se
água ou uma mistura de água com querosene ou amoníaco ou outro
líquido qualquer pelo nariz da vítima, já pendurada de cabeça para baixo.
Outra forma consistia em vedar as fossas nasais e introduzir uma
mangueira na boca, por onde é despejada a água.218
5. Telefone: técnica de aplicação de pancada com as mãos em concha nos
dois ouvidos ao mesmo tempo que, ocasionalmente, deixava a pessoa
desorientada e, além disso, podia romper os tímpanos. Desse modo,
algumas vítimas perdiam a audição permanentemente. 219
6. Sessão de caratê ou corredor polonês: a vítima era agredida em meio a
uma roda de torturadores, com socos, pontapés, golpes de caratê, bem
como com ripas de madeira, mangueiras de borracha, vergalho de boi ou
tiras de pneu.220
7. Uso de produtos químicos: se utilizava com frequência qualquer tipo de
produto químico contra o torturado, seja para fazê-lo falar, por alteração
da consciência, seja para provocar dor, para assim obter a informação
desejada. Alguns exemplos dessa técnica: aplicar ácido ou álcool no corpo
ferido do detido, ligando-se, na sequência, o ventilador.221
7.1.
Soro da verdade: geralmente se aplicava com o torturado preso
a uma cama ou maca, sendo a droga injetada por via
endovenosa, gota a gota. A utilização dessa droga na medicina
se dá sob estrito controle, já que ela promove graves efeitos
colaterais e até mesmo a morte no caso de doses excessivas. 222
patrimônio neurônico do cérebro. Com isso, no mínimo provocava distúrbios na memória e sensível diminuição da
capacidade de pensar e, às vezes, amnésia definitiva. A aplicação intensa de choques foi causa de morte de muitos
presos políticos, particularmente quando portadores de problemas cardíacas. Relatório da Comissão Nacional da
Verdade, p. 366 (expediente de prova, folha 896).
216
Segundo presos políticos de São Paulo: “É semelhante a uma "cadeira elétrica". Constitui-se por uma polcrona
de madeira, revestida com folha de zinco. O torturado é sentado nu, tendo seus pulsos amarrados aos braços da
cadeira e as pernas forçadas para baixo e presas por uma trava. Ao ser ligada a corrente elétrica, os choques
atingem rodo o corpo, principalmente nádegas e testículos; as pernas se ferem batendo na trava que as prende.
Além disso, há sevícias complementares: "capacete elétrico" (balde de metal enfiado na cabeça e onde se aplicam
descargas elétricas); jogar água no corpo para aumentar a intensidade do choque; obrigar a comer sal, que, além
de agravar o choque, provoca intensa sede e faz arder a língua já cortada pelos dentes; tudo acompanhado de
pancadas generalizadas”. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 367 (expediente de prova, folha 897).
217
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 368 (expediente de prova, folha 898).
218
Outras formas eram mergulhar a cabeça do preso em um tanque, tambor ou balde de água, forçando-lhe a nuca
para baixo; "pescaria", quando amarrada uma longa corda por sob os braços do preso e este é lançado em um poco
ou mesmo em rios ou lagoas, afrouxando-se e puxando a corda de tempo em tempo. Relatório da Comissão
Nacional da Verdade, p. 368-369 (expediente de prova, folhas 898-899).
219
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 369 (expediente de prova, folha 899).
220
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 369 (expediente de prova, folha 899).
221
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 369 (expediente de prova, folha 899).
222
Trata-se do pentotal sódico, um barbitúrico (os barbitúricos e outros hipnóticos produzem um efeito progressivo,
primeiro sedativo e, em seguida, de anestesia geral e, finalmente, de depressão gradativa dos centros bulbares).
Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 370 (expediente de prova, folha 900).
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