7.2.
Temperar com éter: aplicar uma espécie de compressa
embebida em éter, particularmente em partes sensíveis do
corpo, como boca, nariz, ouvidos, pênis, etc., ou introduzir
buchas de algodão ou pano, também embebidas em éter, no
ânus ou vagina do torturado ou da torturada.223
7.3.
Injeção de éter: aplicação de injeções subcutâneas de éter que
provoca dores lancinantes. Normalmente, esse método de
tortura ocasiona necrose dos tecidos atingidos, cuja extensão
dependia da área alcançada.224
8. Sufocamento: obstrução da respiração e a produção de sensação de
asfixia, tapando-se a boca e o nariz da vítima com materiais como pano ou
algodão, o que também impedia a vítima de gritar. O torturado sentia
tonturas e podia desmaiar.225
9. Enforcamento: a pessoa torturada tinha o pescoço apertado com uma
corda ou tira de pano, sentindo sensação de asfixia, sendo que, às vezes,
provocava desmaio.226
10. Crucificação: penduravam a vítima pelas mãos ou pés amarrados, em
ganchos presos no teto ou na escada, deixando-a pendurada e aplicandolhe choques elétricos, palmatória e as outras torturas usuais.227
11. Furar poço de petróleo: o torturado era obrigado a colocar a ponta de um
dedo da mão no chão e correr em círculos, sem mexer o dedo, até cair
exausto. Isso ocorria sob pancadas, pontapés e todo o tipo de violência. 228
12. Colocar-se de pé sobre duas latas abertas: se obrigava a vítima a
equilibrar-se com os pés descalços sobre as bordas cortantes de duas latas
abertas. Às vezes, isso se fazia até que a pessoa sangrasse. Quando a
vítima se desequilibrava e caía, intensificavam-se os espancamentos.229
13. Geladeira: tecnologia de tortura de origem britânica em que a pessoa
detida era confinada em uma cela de aproximadamente 1,5m x 1,5m de
altura, para impedir que se ficasse de pé. A porta interna era de metal e as
paredes eram forradas com placas isolantes. Não havia orifício por onde
entrar luz ou sons externos. Um sistema de refrigeração e um de calefação
alternavam temperaturas baixas com temperaturas altas. A cela era
totalmente escura a maior parte do tempo. No teto, se acendiam pequenas
luzes coloridas, em ritmo rápido e intermitente, ao mesmo tempo que um
alto-falante instalado dentro da cela emitia sons de gritos, buzinas e
outros, em altíssimo volume. A vítima, despida, permanecia aí por
períodos que variavam de horas até dias, muitas vezes sem alimentação
ou água.230
14. Pau de arara: um dos métodos mais utilizados e conhecidos, sendo
largamente adotado como ilustração simbólica da prática da tortura. Nessa
modalidade, a vítima ficava suspensa por um travessão, de madeira ou
metal, com os braços e pés atados. Nessa posição, outros métodos de
tortura eram aplicados, como afogamento, palmatória, sevícias sexuais e
223
A aplicação demorada e repetida dessas compressas e buchas provocava queimaduras, que causavam muita
dor. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 370 (expediente de prova, folha 900).
224
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 370 (expediente de prova, folha 900).
225
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 371 (expediente de prova, folha 901).
226
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 371 (expediente de prova, folha 901).
227
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 371 (expediente de prova, folha 901).
228
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 371 (expediente de prova, folha 901).
229
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 371 (expediente de prova, folha 901).
230
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 372 (expediente de prova, folha 902).
58