choques elétricos, entre outros.231
15. Utilização de animais: os presos políticos eram expostos aos mais variados
tipos de animais, como cachorros, ratos, jacarés, cobras, baratas, que
eram lançados contra a vítima ou mesmo introduzidos em alguma parte de
seu corpo.232
16. Coroa de cristo: fita de aço em torno do crânio, com uma tarraxa
permitindo que fosse apertada.233
17. “Churrasquinho”: consistia em atear fogo em partes do corpo da vítima
previamente embebidas em álcool.234
18. Outras formas de tortura: praticadas isoladas ou em conjunto, como
queimar com cigarros alguma parte do corpo, arrancar com alicate pelos
do corpo (especialmente os pubianos), dentes e/ou unhas, obrigar o
torturado com sede a beber salmoura, introduzir bucha de palha de aço no
ânus e nelas aplicar descargas elétricas, amarrar fio de náilon entre os
testículos e os dedos dos pés e obrigar a vítima a caminhar, açoitar,
amarrar a grades da cela, amarrar a lanchas e arrastar pela água, amarrar
o pênis para não urinar, asfixiar, forçar a ingestão de água da latrina,
chicotear, cuspir, manter em isolamento em celas molhadas, frias, sem
iluminação e sujas, martelar dedos, enterrar vivos, forçar a prática de
exercícios físicos, estrangular, fazer roleta russa, cortar a orelha, mutilar e
a mais comum de todas, o espancamento.235
b) Tortura psicológica: intimidação, ameaças graves e críveis à integridade física ou
à vida da vítima ou de terceiros e a humilhação.236
1. Torturas físico-psíquicas: vestir a pessoa detida com camisa de força,
obrigá-la a permanecer durante horas algemado ou amarrado em macas
ou camas, mantê-la por muitos dias com os olhos vendados ou com capuz
na cabeça, manter o preso sem comer, sem beber e sem dormir, confinar
a vítima em celas de isolamento e acender fortes refletores de luz sobre a
pessoa.237
2. Ameaça: era usada para aterrorizar as vítimas e era a forma mais
frequente de tortura psicológica. Eram ameaças como: cometer aborto, na
vítima ou na família; afogar; asfixiar; colocar animais no corpo; obrigar a
comer fezes; entregar o preso a outra unidade repressiva mais violenta;
estrangular; estuprar familiar; fuzilar; matar; prender familiar; violentar
sexualmente; fazer lavagem cerebral; mutilar alguma parte do corpo.
Também se podem mencionar ameaças de morte representadas por ações
como: obrigar o preso a cavar a própria sepultura, dançar com um
cadáver, fazer roleta russa, entre outras. 238
3. Ameaça a familiares e amigos: inclusive mulheres grávidas e filhos
crianças ou, ainda, torturar amigos diante do torturado, para que este
231
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 372 (expediente de prova, folha 902).
No caso dos camundongos, eram destrutivos uma vez que após introduzidos nos corpos das vítimas, este animal
não sabia andar para trás. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 373 e 374 (expediente de prova, folhas
903 e 904).
233
Assim foi assassinada Aurora Maria Nascimento Furtado. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 374
(expediente de prova, folha 904).
234
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 374 (expediente de prova, folha 904).
235
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 375 (expediente de prova, folha 905).
236
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 375 (expediente de prova, folha 905).
237
Outros exemplos dessas técnicas são o isolamento, a proibição absoluta de comunicar-se e a privação de sono.
Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 375 (expediente de prova, folha 905).
238
Cf. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, p. 376 (expediente de prova, folha 906).
232
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