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dedicado à busca por justiça e [a] conhecer o destino e o paradeiro de María
Claudia”, razão pela qual a “falta de resposta das autoridades uruguaias [lhe] tem
causado um profundo sofrimento”, assim como frustração e impotência pela
impunidade na qual ainda se amparam os fatos do caso; e
k) “a falta absoluta de ação estatal neste caso a fim de reunir a família, e de
restabelecer a verdadeira identidade de María Claudia, representou uma clara
violação dos direitos de María Macarena, Juan Gelman, e de seus familiares [...] à
proteção de sua dignidade e honra”.
105. O Estado não se referiu em particular a estas alegações, mas reconheceu as
violações dos direitos humanos de María Macarena Gelman García em seu conjunto (pars.
19 a 22 supra).
B. Fatos relativos à situação de María Macarena Gelman García
106. No tocante aos fatos do desaparecimento forçado de María Claudia García (pars. 44
a 63 e 79 a 90 supra), em 14 de janeiro de 1977, sua filha teria sido colocada em uma
cesta e deixada na porta da casa da família do policial uruguaio Ángel Tauriño,114
localizada no bairro Punta Carretas de Montevidéu, no Uruguai, com uma nota indicando
que a criança havia nascido em 1 de novembro de 1976 e que sua mãe não podia cuidar
da mesma.115
107. Ángel Tauriño e sua esposa, que não tinham filhos, recolheram a cesta e ficaram
com a criança, registrando-a como sua própria filha aproximadamente um ano e meio
mais tarde. Eles a chamaram e batizaram como María Macarena Tauriño Vivian.116
108. No âmbito das investigações realizadas por Juan Gelman e sua esposa, Mara Elda
Magdalena La Madrid Daltoe (par. 90 supra), ambos receberam informações de distintas
fontes sobre algumas circunstâncias do sequestro e do desaparecimento de María Claudia
García, assim como do parto e, até 1997, também sobre o nascimento em cativeiro de
sua neta. Continuaram com as investigações de forma discreta, sem êxito, até que no
início do ano de 1998, entraram em contato com a senhora Sara Méndez, que esteve
detida em Automotores Orletti e foi posteriormente trasladada à sede do SID em
Montevidéu. Ela lhes proporcionou informação relevante para reconstruir o que havia
suscedido a María Claudia García.117
109. Essas informações levaram Juan Gelman e sua cônjuge, residentes no México, a
se deslocar constantemente a Buenos Aires e a Montevidéu para entrevistar diferentes
pessoas que haviam sido detidas e levadas aos locais onde María Claudia García teria
permanecido detida, bem como alguns funcionários e ex-funcionários estatais que
concordaram em fornecer versões fragmentadas sobre o ocorrido.118
110. Ao final do mês de novembro do ano de 1999, um casal de vizinhos da cidade de
Montevidéu entrou em contato com o senhor Juan Gelman e lhe informou sobre o
aparecimento de uma criança de quase dois meses de vida na porta da casa da família do
policial Ángel Julián Tauriño, fato que, em seu momento, havia causado comoção no
bairro, pois era público que o mencionado casal não podia ter filhos como desejavam.119
114
Cf. Declaração prestada por María Macarena Gelman durante a audiência pública, e declaração de Juan
Gelman durante a audiência pública.
115
Cf. Declaração de María Macarena Gelman perante a Comissão Interamericana, prova, folha 245.
116
Cf. Certidão de batismo de María Macarena Tauriño Vivian, expedido em 17 de dezembro de 1999,
prova, folhas 243 e 3310, e registro civil de nascimento nº 1568, prova, folhas 3311 e 3714.
117
Cf. Testemunho de Mara La Madrid, prestado perante agente dotado de fé pública em 13 de março de
2003, prova, folha 3658 e ss.
118
Cf. Declaração prestada por Juan Gelman durante a audiência pública, e testemunho de Mara La Madrid,
nota 118 supra, prova, folhas 3360 e ss.
119
Cf. Declaração prestada por Juan Gelman durante a audiência pública, e testemunho de Mara La Madrid,
nota 118 supra, prova, folha 3677.