cronograma de atividades em que pretende re-locar quase 400 famílias, em duas
etapas 6. Aduzem os peticionários que a situação de medo e insegurança nas
comunidades ameaçadas de deslocamento é patente.
21.
Para os peticionários os desapossamentos já realizados foram
realizados de forma compulsória e simplista para áreas distantes do mar e dos
igarapés. Não foi realizado nenhum diagnóstico com análises sistematizadas que
permitisse uma avaliação da realidade socioeconômica e cultural, o interesse e
especificidades dessas famílias como práticas agrícolas, atividades econômicas
desenvolvidas, força de trabalho utilizada, apropriação dos recursos naturais, etc.
Desta forma, os peticionários defendem que a manutenção das condições de
7
continuidade
das
atividades
econômicas
não
foram
respeitadas
.
22.
Afirmam os peticionários 8que entre 1982 e 1985, residiam no local
que hoje abriga a Área I cerca de 503 famílias distribuídas em 48 comunidades (ou
povoados). Destas, 312 famílias de 31 povoados foram deslocadas para “agrovilas”
- redutos habitacionais que foram construídos pelo Centro de Lançamento de
Alcântara-, sendo que as comunidades que ficaram estão sendo ameaçadas de
deslocamento forçado. A Area I refere-se a toda região litorânea do município, onde
foram construídas as instalações do Centro Espacial.
23.
Relatam os peticionários que, a fim de amenizar os impactos e os
prejuízos que lhes foram impostos, as várias comunidades que foram deslocadas de
seus territórios solicitaram diversas medidas ao Ministério da Aeronáutica, o qual se
comprometeu a providenciar a maior parte das solicitações. De acordo com os
peticionários, passados quase três anos do comprometimento, nenhuma das
solicitações havia sido atendida.
24.
Os peticionários afirmam que um número superior a 30 comunidades
deslocadas 9 foram assentadas em 07 distritos agrícolas ou “agrovilas”. De acordo
com os peticionários, em algumas dessas “agrovilas” mais de uma comunidade foi
arbitrariamente reunida em um mesmo lugar, e receberam denominação de apenas
uma delas, fato que gera situações de conflito no interior do território e caracteriza
6 A primeira etapa (que corresponde a terceira fase desde a implantação do CLA) envolverá 261 famílias
de 16 comunidades, incluindo-se aí as que serão transferidas e as que receberão outras famílias. Segundo
o CLA, serão transferidas 158 famílias pertencente às comunidades de Mamuna (56 famílias), Águas Belas
(08 famílias), Caiuaua (02 famílias), Baracatatiua (26 famílias ), São Francisco (02 famílias), Barbosa (02
famílias), Pacoval (02famílias), Corre Prata (01 família), Brito (28 famílias), Itapera (19 famílias) e
Mamuninha (12 famílias).
A segunda fase (que corresponde à quarta fase desde o início da implantação do CLA) transferirá 215
famílias, das comunidades de Folhau (20 famílias), Santan Maria (66 famílias), Tacaua (09 famílias), Bom
Viver (12 famílias), Uru-Grande (05 famílias), Uru-Mirim (02 famílias), Arapiranga (01 família), Canelatiua
(48 famílias), Retiro (14 famílias), Mato Grosso (04 famílias), Centro Alegre (03 famílias), Rio Verde (01
família) e Vista Alegre (30 famílias).
7 Dados provenientes do relatório da Assessoria Antropológica do Ministério Público Federal, datado de
06 de outubro de 1999.
8 Dados provenientes da Companhia de Colonização do Nordeste (COLONE).
9 Na primeira fasede implantação do CLA, compreendida entre julho e dezembro de 1986, foram
transferidas 112 famílias de 10 povoados, assentados em distritos agrícolas construídos na área conhecida
como Fazenda Norcasa. As comunidades deslocadas foram: Espera, Barro Alto (11 famílias), Ponta Seca,
Curuca e Laje (13 famílias), Pepital (38 famílias), Cajueiro (33 famílias), Só Assim, Boa Vista e Norcasa
(17 famílias).
Na segunda fase, compreendida entre novembro de 1987 e dezembro de 1988, foram transferidas 200
famílias de 21 povoados assentados em 02 distritos agrícolas construídos na área que inclui parte das
fazendas Rio Grande e Mutiti e parte das terras Devolutas VIII. As comunidades deslocadas para a agrovila
denominada “Marudá” foram: cem famílias das comunidades de Sozinho, Baracatatiua, São Raimundo,
Jabaquara, Curuçá, Jardim, Santa Cruz, Titica, Porto, Santa Rosa, Pirarema, Marudá, Santo Antonio, Ponta,
Jenipaúba, Camarajó, Capijuba, parte de Águas Belas, Corre Prata e Ladeira (algumas famílias). As
comunidades deslocadas para a agrovila denominada “Peru” foram: Sozinho, Santa Cruz, Titica, Porto,
Cavém, Peru, Camarajó, Capijuba, parte de Águas Belas e Corre Prata.
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