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senhor Damião Ximenes Lopes. Clamou por justiça pelo morte do seu irmão, porque jurou que
sua alma não descansaria enquanto não houvesse justiça.
O senhor Cosme Ximenes Lopes se identificava muito com o Damião Ximenes Lopes pelo fato de
ser gêmeos e de que eram muito próximos, e quando este faleceu, Cosme entrou em estado de
choque, precisou de ajuda médica, padeceu de depressão e perdeu o emprego. A testemunha
teve que ajudar a sustentar a família do seu irmão por algum tempo, enquanto ele estava
recompondo. O pai da testemunha, embora estivesse separado da mãe da suposta vítima, nunca
interrompeu os laços familiares com seu filho, senhor Damião Ximenes Lopes, e sofreu pela sua
morte. Dizia que “não [era] fácil perder um filho [que ainda era] jovem”. Ele foi por muito tempo
tomado por um desejo de vingança.
Sua mãe ainda sofre os efeitos da morte do senhor Damião. Ficou com a vida completamente
arruinada, até hoje padece de depressão e diz que tem desejo de morrer. Ela perdeu o gosto
pela vida, teve gastrite nervosa e em conseqüência uma ulcera duodenal que foi tratada com
dificuldade porque ela desenvolveu um medo enorme de hospitais. Ela parece sofrer também de
uma certa "psicose de defesa da vida", porque ela não quer tocar em nada vivo, como animais,
insetos ou plantas, porque não quer matá-los. Tudo lhe traz a lembrança da morte de seu filho,
Damião Ximenes Lopes.
No dia da morte do seu irmão apresentaram uma queixa na Delegacia de Polícia da Sétima Região
de Sobral (doravante denominada “Delegacia de Polícia de Sobral”) mas, como esta não se
interessou pelo caso, denunciaram perante a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa. A morte do senhor Damião ainda continua impune em todas as instâncias. O
processo tem demorado muito.
Em relação com o processo penal, indicou que faltaram diligências no expediente do processo,
principalmente declarações como as dos senhores Francisco Ivo de Vasconcelos, João Alves da
Silva e Sebastião Vieira Filho, depoimentos considerados importantes pela testemunha, que
comprometiam tanto o hospital como o Estado.
A mãe da testemunha, assim como toda família, recusa-se a receber a pensão vitalícia oferecida
pelo Estado por considerar que se trata de uma pensão e que é muito inferior ao que poderia
reparar os danos causados. Consideram a proposta do Estado humilhante. Estima positiva a
designação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) com o nome do seu irmão, mas não
considera que isso significa justiça, senão que representa o mínimo que se poderia fazer.
b) Francisco das Chagas Melo, ex-paciente da Casa de Repouso Guararapes
Na época em que esteve internado na Casa de Repouso Guararapes foi vítima de atos de violência
e não denunciou os fatos à polícia. Soube de outros casos de violência e morte dentro da Casa de
Repouso Guararapes, sem que tenham existido investigações a respeito. Identificou a pessoas
que cometeram atos de violência com os nomes de Eliésio, Cosmo, Carlão e Nonato. Ouviu falar
que Carlão era muito violento e viu Cosmo praticando atos de violência e masturbando-se ao
olhar as mulheres nuas. A Casa de Repouso Guararapes era um lugar de violência, de abuso de
poder e sem nenhum cuidado para com os pacientes.