junho de 1993 e 18 de janeiro de 1994, sem êxito. Em 3 de janeiro de 1997, a Comissão
solicitou informação atualizada sobre o assunto ao Estado.
5. Em 5 de maio de 1997, a Comissão recebeu uma petição apresentada por ASFADDES,
FEDEFAM e a CCJ em relação aos mesmos fatos, alegando violações a Convenção Americana, e
iniciou um novo trâmite sob o número 11.748. Em 7 de maio de 1997 a Comissão informou ao
Estado colombiano a abertura do caso 11.748 e lhe outorgou um prazo de 90 dias para
responder a petição. Em 20 de maio de 1997 o Estado comunicou-se com a CIDH a fim de
fazer referência ao trâmite iniciado sob o número 10.566 e, em resposta, em 28 de maio de
1997 a Comissão informou ambas partes que os fatos matéria do presente assunto seriam
acumulados e processados no expediente número 11.748. Em 12 de junho de 1997 os
peticionários remeteram informação adicional, a qual foi enviada ao Estado para suas
observações em 24 de junho de 1997.
6. Em 24 de fevereiro de 1998, durante o 98° período de sessões, foi celebrada uma audiência
na qual os peticionários apresentaram informação adicional. Em 3 de março de 1998, a
Comissão dirigiu-se a ambas partes a fim de colocar-se à disposição para efeitos de alcançar
uma solução amistosa do assunto, e lhes outorgou um prazo de 30 dias para apresentar sua
resposta. O Estado solicitou uma prorrogação, a qual foi concedida em 16 de abril de 1998. Em
31 de març de 2000 a Comissão informou ao Estado que o Centro pela Justiça e o Direito
Internacional tinha-se incorporado ao trâmite como co-peticionário.
7. Em 10 de outubro de 2000, durante o 108° período de sessões, a Comissão celebrou uma
audiência com a participação de ambas partes. Em 3 de novembro de 2000, a Comissão
trasladou ao Estado a informação apresentada pelos peticionários na audiência, outorgandolhes um prazo de 30 dias para apresentar suas observações. O Estado apresentou suas
observações em 5 de dezembro de 2000.
III.

POSIÇÕES DAS PARTES

A.

Posição dos peticionários

8. Os peticionários alegam que em 14 de janeiro de 1990, dois caminhões que transportavam
aproximadamente 60 homens armados e uniformados ingressaram de madrugada no
corregimento da Comunidade Bello, Município de Turbo, estado de Antioquia e invadiram
várias residências e uma igreja evangélica em busca dos habitantes da comunidade. Os
homens armados detiveram um número de pessoas e as forçaram a deitarem-se de boca para
abaixo na praça principal. Posteriormente selecionaram 43 camponeses, os amordaçaram e os
levaram, sendo que estes nunca mias foram vistos com vida. Antes de retirarem-se em direção
a San Pedro de Urabá, os homens armados incendiaram três imóveis e disseram aos
habitantes da comunidade Bello: “Isto é para que respeitem ‘Los Tangueros’ ”, presudamente
referindo-se ao grupo paramilitar então liderado por Fidel Castaño, proveniente da fazenda
“Las Tangas”, situada as margens do Río Sinú no estado de Córdoba.
9. A informação assinala que os veículos paramilitares passaram pelas barricadas fiscalizadas
pelos Batalhões Vélez e Cóndor sem serem detidos ou questionados. Os peticionários alegam
que os 43 camponeses retidos foram levados a fazenda Santa Mónica no estado de Córdoba,
onde os esperava o então líder paramilitar Fidel Castaño. Alegam que foram interrogados e
brutalmente torturados no local: as veias de seus corpos foram furadas, seus olhos perfurados,
seus ouvidos tapados, seus orgãos genitais mutilados. Finalmente foram executados um a um.
10. No que respeita a responsabilidade dos agentes do Estado, os peticionários alegam, por
um lado, que a ofensiva paramilitar teve sua origem nos destacamentos do Exército contra os
camponeses da comunidade Bello. Alegam que membros do Exército interpretaram a atitude
passiva destes camponeses perante um incidente de roubo de gado pertencente a Fidel
Castaño como símbolo de sua suposta afiliação a guerrilha. Argumentam que as autoridades
das bases militares e barricadas de San Pedro de Urabá não somente permitiram a passagem
dos veículos paramilitares mas também colaboraram diretamente com o grupo armado ilegal.
Segundo surge das alegações dos peticionários, uma vez consumados os fatos, membros da

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