-28- c. Carência de um sistema integrado, unificado e programado no mais alto nível governamental que permita contar com as armas suficientes para combater em profundidade as organizações extremistas. (…) e. Compreender que a luta que hoje devemos combater é para inteligentes, quer dizer, combater em todos os aspectos da missão nacional (políticaeconômica-religiosa-intelectual-sindical e psicológica) (sistemas massivos de comunicação social) com o claro conceito de que o êxito se baseará em 80% de inteligência veraz e oportuna e apenas 20% de ação (execução).19 Depois de fazer uma longa análise sobre a situação da guerrilha no continente, o documento exalta as virtudes do tradicionalismo e do nacionalismo paraguaio, com profusão de expressões relativas ao “ser e existir nacional”, “supremos valores da paraguaidade”, “alma da raça autóctona”, “concepção da terra e da Pátria”. Finalmente, estabelece estas “recomendações”: 1. Intercâmbio direto de informação. 2. Contatos técnicos e pessoais. 3. Programar reuniões conjuntas para tratar questões de segurança das áreas de YACYRETAAPIPE e CORPUS, em particular com a participação de elementos de segurança da Empresa. 4. Intercâmbio de doutrina, organização e instrução. 5. Possibilidade de ampliar o caráter bilateral das Conferências de Inteligência (…).20 As recomendações da delegação paraguaia não ficaram na mera expressão de desejos. Nos meses seguintes –sobretudo nos dois anos posteriores– os agentes multinacionais da Condor vigiariam, sequestrariam e executariam em todo o sul do continente sem terem as fronteiras como obstáculos. Em outubro de 1975, foi realizada, em Santiago do Chile, a “PRIMEIRA REUNIÃO DE TRABALHO DE INTELIGÊNCIA NACIONAL”, com a participação de representantes de vários exércitos sul-americanos. Um documento de trabalho produzido pelo Departamento de Inteligência Nacional (DINA) chileno, dirigido pelo Coronel Manuel Contreras Sepúlveda, permaneceu guardado nos arquivos. Nesse documento –marcado como “SECRETO”- os donos da casa propõem materializar o intercâmbio de informação criando um escritório de Coordenação e Segurança que se sustentaria em três elementos básicos: (…) A. Banco de Dados Estabelecer em um dos Países que aqui se encontram representados um Arquivo Centralizado de Antecedentes de Pessoas, Organizações e outras Atividades, conectadas direta ou indiretamente com a Subversão. Em linhas gerais, algo similar ao que tem a INTERPOL, em Paris, mas dedicado à Subversão. (…) B. Central de Informações 19 Cf. Arquivo 245 do “Arquivo do Terror”, pág. 1612, transcrito em Es mi informe, nota 11 supra, pág. 255. 20 Cf. Arquivo 1008 do “Arquivo do Terror”, pág. 1377, transcrito em Es mi informe, nota 11 supra, pág. 256.

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