-34- 61.24 A esposa do doutor Goiburú, Elva Elisa Benítez de Goiburú, tomou conhecimento do sequestro de seu marido na mesma manhã, por meio de dois policiais provinciais de Entre Ríos que lhe comunicaram a notícia. A senhora Benítez de Goiburú realizou a busca de seu marido, mas as autoridades argentinas negaram oficialmente ter conhecimento sobre o sequestro ou tê-lo detido. Posteriormente, a senhora Benítez de Goiburú tomou conhecimento de que teria sido levado ao Paraguai. 61.25 As ações levadas a cabo para sequestrar o doutor Goiburú foram de conhecimento das mais altas autoridades do Estado, segundo demonstram vários documentos, a saber: a) o relatório secreto número 62, de outubro de 1975, do Departamento de Inteligência do Estado Maior Paraguaio, solicitava a localização e detenção urgente do doutor Goiburú, através do adido militar na Embaixada Paraguaia em Buenos Aires; b) um memorando de 30 de dezembro de 1975, do Chefe do Departamento de Investigações, Pastor Milciades Coronel, dirigido ao General Alfredo Stroessner, informa sobre as atividades e hábitos do doutor Goiburú em Paraná, dados fornecidos por seu informante, o guardacostas pessoal do doutor Goiburú, e c) um documento do Ministério do Interior argentino, de 8 de fevereiro de 1977 –um dia antes do sequestro do doutor Goiburú– dirigido ao Chefe do Departamento de Investigações, Pastor Milciades Coronel, pelo Capitão do Exército argentino, informa que a pessoa encarregada de localizar, seguir e prender o “doutor Paraguaio” havia recebido todos os meios para sua mobilização e transporte. 61.26 No Paraguai, o doutor Goiburú era publicamente acusado de ser o cérebro de um complô para matar o General Stroessner. No entanto, não foram feitas acusações formais contra ele, nem o governo reconheceu que estava sob custódia do Estado. 61.27 Segundo alguns relatos, depois de ter sido sequestrado, o doutor Goiburú teria estado privado de sua liberdade em um quartel da Força Aérea de Entre Ríos, Argentina. Dali teria sido levado, em avião, a Formosa e entregue às autoridades paraguaias em Puerto Falcon. Não há provas escritas de sua suposta presença no Departamento de Investigações. Seu nome não figura no livro “Entrada e saída de Detidos” do ano de 1977. Entretanto, 32 há testemunhos que afirmam ter visto o doutor Goiburú, com vida, em prisões paraguaias. Domingo Rolón Centurión, um ex-preso no Departamento de Investigações do Paraguai, reconheceu o doutor Goiburú através de uma foto e afirmou que o havia visto sendo torturado nessas instalações. Afirmou: Às 22, de um dia que não recordo, eu o vi em um corredor, jogado com a boca para cima, totalmente golpeado. Três horas depois, obrigaram-me a entrar na sala de tortura, onde me perguntaram se o conhecia, ao que respondi que não. Ele (Goiburú) estava inconsciente e completamente molhado. [A]cabavam de colocá-lo na banheira […]. 61.28 O desaparecimento do doutor Goiburú é um caso que mostra uma ação coordenada entre as forças de segurança paraguaia e argentina, dentro da Operação Condor. Seu desaparecimento se enquadra no modus operandi através do qual paraguaios desapareciam na Argentina, durante a ditadura militar naquele país. 61.29 A senhora Elva Elisa Benítez de Goiburú, bem como seus filhos Rogelio Agustín, Rolando Agustín e Patricia Jazmín, todos de sobrenome Goiburú Benítez, e a senhora Rosa 32 Cf. Es mi informe, nota 11 supra, pág. 320.

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