-36Departamento de Investigações. Desde então e até setembro de 1976, seu nome “figuraria em todas as listas de detidos do Departamento de Investigações”. 61.35 O senhor Carlos José Mancuello Bareiro foi submetido a intensos interrogatórios e torturas, especialmente nos primeiros meses de sua detenção ilegal, tais como golpes, chicotadas com o chamado “teyuruguay” e também submetido à prática denominada “pileteada” (consistente na submersão do detido em uma banheira (pileta) com água, sangue e dejetos humanos,36 em muitas ocasiões, até o afogamento). 61.36 O senhor Carlos José Mancuello Bareiro permaneceu detido por 22 meses. Com respeito às torturas às quais foi submetido, o senhor Jorge Pane Zárate, que era oficial no Departamento de Investigações da Polícia da Capital na época dos fatos, viu-o enquanto esteve detido nestas instalações e constatou pessoalmente que “tinha[…] marcas físicas de ter sofrido constrangimentos ilegais, pois […] a chamada 'Constituição e Teyú-yuruguai', um chicote curto de couro trançado, [de] um metro de comprimento … deixava marcas muito visíveis, que inchavam com hematomas”. 61.37 A senhora Gladys Meilinger de Sanneman esteve detida nas dependências do Departamento de Investigações, em 1976, e viu os senhores Carlos José Mancuello Bareiro e Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba durante esse período, já que os observava todos os dias de madrugada quando iam ao banheiro. A última vez que os viu com vida foi no dia 21 de setembro de 1976, quando foi levada dessas dependências para a prisão de Emboscada. 61.38 A senhora Bareiro de Mancuello, mãe do senhor Carlos José Mancuello Bareiro, periodicamente lhe enviava roupas, alimentos e medicamentos. Encarregava-se de receber das mãos da polícia suas roupas sujas para lavá-las e voltava a enviá-las. A partir de 21 de setembro de 1976, a senhora Bareiro de Mancuello já não recebeu de parte da polícia as roupas de seu filho Carlos José Mancuello Bareiro, com a explicação de que este já não se encontrava no Departamento de Investigações da Polícia ou que havia fugido dali. 61.39 O livro de “Guarda e Novidades” do Departamento de Investigações de 1976, indica que, ao ser feita a revisão das celas, à noite no dia 21 de setembro de 1976, constatou-se “a evasão de quatro detidos”. No livro de “Entrada e saída de Detidos”, do Departamento de Investigações, Carlos José Mancuello Bareiro foi apontado como “foragido” e, a respeito dos irmãos Rodolfo e Benjamín Ramírez Villalba e de Amílcar Oviedo, o espaço de “Saída” correspondente a eles foi deixado em branco. 37 Da mesma forma, um documento oficial do Departamento de Investigações, Escritório de Guarda, dirigido ao Chefe do Departamento de Investigações, Pastor Milciades Coronel, informou sobre a suposta fuga dos senhores Carlos José Mancuello e Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba. Isso foi posteriormente confirmado pelas declarações de vários oficiais de investigações presentes aquela noite e que foram intimados a declarar nos julgamentos sobre o caso, iniciados depois de 1989. 38 61.40 No entanto, com base nas declarações de vários ex-funcionários policiais, a Vara nº 1 de Liquidação e Sentença concluiu o seguinte (par. 69 infra): Aproximadamente às 22h30min [do dia 21 de setembro de 1976] […], exigiu-se dos detidos MANCUELLO, OVIEDO e dos irmãos RAMIREZ VILLALBA, que se preparassem, 36 Cf. declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) pela senhora Gladys Meilinger de Samerman em 22 de maio de 2006 (expediente de declarações prestadas ou autenticadas perante agente dotado de fé pública, folha 6271). 37 Cf. Es mi informe, nota 11 supra, pág. 228 e 229. 38 Cf. Es mi informe, nota 11 supra, pág. 228 e 229.

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