-33esteve detido em distintas delegacias policiais de Asunción. Conseguiu escapar e exilar-se
no Chile,31 para depois regressar à Argentina, em dezembro de 1970.
61.19 Em dezembro de 1974, a família do doutor Goiburú percebeu a presença de um
estranho que fotografava a casa de Posadas, Argentina, onde viviam. Conseguiram capturar
um indivíduo, posteriormente identificado como Bernardo Cocco, que declarou perante a
polícia argentina que a tentativa frustrada de sequestro do doutor Goiburú havia sido
planejada pelo Chefe de Investigações da Polícia Paraguaia, Pastor Milciades Coronel.
61.20 No começo de 1975, houve outro plano para sequestrar o doutor Goiburú, conforme
a declaração de uma das pessoas encarregadas de realizá-lo, supostamente sob o comando
do general paraguaio Guanes Serrano. No entanto, esse plano não foi levado a cabo, porque
os encarregados de realizá-lo exigiram uma grande quantia de dinheiro.
61.21 Posteriormente, o doutor Goiburú decidiu mudar-se, por razões de segurança, da
cidade fronteiriça de Posadas, em Misiones, à Província de Entre Ríos, Argentina. No
entanto, a vigilância sobre ele e sua família continuou.
61.22 No começo de 1977, foi cuidadosamente elaborado um novo plano para sequestrar o
doutor Goiburú, que era objeto de uma vigilância constante de suas atividades cotidianas. A
pessoa encarregada de coordenar a operação se hospedou no Hotel Guarani, de Asunción. O
Arquivo do Terror inclui uma nota em papel timbrado desse hotel, na qual se encontra
escrito:
GOIBURÚ, depois da tentativa de sequestro sofrida há pouco tempo, toma medidas
extraordinárias de segurança pessoal e familiar […] em seu consultório possui armas longas e a
mesma coisa em seu domicílio. No domicílio, a operação é praticamente impossível […]
O atentado se realizará no trajeto entre a Clínica e seu domicílio. Foram marcados os possíveis
lugares e está tudo organizado para sua volta de férias, que ocorrerá em meados de fevereiro
[…] Intervirá um grupo de apenas 4 homens, com dois veículos e armas adequadas, cujo
manuseio e prática estão ensaiando.
61.23 O doutor Agustín Goiburú foi sequestrado em 9 de fevereiro de 1977, à saída do
Hospital San Martín, onde se encontrava de plantão. Perto do meio-dia, um automóvel Ford
Falcon verde-oliva, sem placa, havia batido no automóvel do doutor Goiburú, que se
encontrava estacionado na esquina do hospital. O doutor saiu do hospital, ao perceber o
estrondo, para verificar o dano, e então foi rendido com uma arma e colocado em um
veículo. Um documento da inteligência militar argentina relata a operação do seguinte
modo:
No dia 9[…]-Feb-77, pessoas desconhecidas, sequestraram da propriedade localizada
na rua Nogoyá nº 572, desta capital, o Dr. AGUST[Í]N GOIBUR[Ú], nascido em 1930
[…] nas circunstâncias do fato, vestia jaqueta branca, calça cinza claro e sapatos
negros com cadarço. Segundo informação obtida, uma pessoa do sexo masculino,
moreno, alto, que conduzia um automóvel Ford Falcon, cor verde-oliva, bateu no
veículo da vítima: um Fiat 128 L, que se encontrava estacionado [na] rua Nogoyá nº
572, encontrando-se seu dono em um quarto localizado nos fundos da propriedade
indicada nesse endereço. Ao acudir o nomeado ao lugar onde estava seu automóvel,
foi rendido por meio de armas de fogo de cano curto pelo condutor do Ford Falcon,
ajudado por outra pessoa dosexo masculino, loiro, alto, e apoiados por uma Pick-Up
de cor verde escura que circulava na contramão. O Profissional citado foi introduzido
no automóvel Ford Falcon, desaparecendo com rumo desconhecido […]
31
Cf. declarações juramentadas oferecidas pelo senhor Rogelio Agustín Goiburú Benítez e pela senhora Elva
Elisa Benítez Feliu de Goiburú, notas 27 e 30 supra, folhas 6248 e 6263 a 6265.
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