14 Transcorreram três dias sem que conseguissem encontrar o corpo de seu irmão falecido. Finalmente, eles o encontraram no necrotério de Bello Monte. Ele e seu pai entraram para reconhecer o cadáver. Os corpos estavam jogados no chão, uns sobre os outros, seu pai teve de mexer em vários cadáveres para poder identificar seu irmão Inocencio. Nunca abriram um processo penal, uma investigação nem nada parecido, “deixaram o caso assim, no esquecimento, como se nunca houvesse ocorrido”. Sua mãe foi muito afetada pelo ocorrido e começou a ficar doente. Sua mãe ainda chora por ele, pois era seu filho mais novo e quem a acompanhava, ele estava sempre preocupado com ela. Passaram-se 13 anos e não há responsáveis, é “viver com especulações do que aconteceu lá e isso é uma frustração, é uma pergunta constante e é a dor de sua mãe”. A testemunha espera que os escutem, que haja verdadeira justiça e que “pague quem tenha que pagar por essas mortes”. c) Declaração de Mireya Ayala Gualdrón, irmã de José León Ayala Gualdrón Seu irmão José León estava preso no Centro de Detenção Provisória de Catia com seu outro irmão, José Ángel Gualdrón, ambos acusados de roubo. Ela ia visitá-los toda semana com sua mãe e Calixta, uma de suas irmãs. A testemunha afirmou que a visita ao presídio “era horrível”. No presídio havia vermes até na entrada, fora havia lixo e os banheiros eram muito sujos. Revistavam as mulheres, tocavam-lhes os seios, faziam-nas tirar a roupa e agachar-se nuas. Os internos recebiam as visitas no pavilhão, onde havia um banheiro, “mas era terrível”. Eles comiam no mesmo pavilhão. Sua família levava-lhes comida crua e às vezes cozida, também lhes levavam dinheiro para que pudessem comprar coisas dentro do Centro de Detenção. Ficaram sabendo do que havia ocorrido na penitenciária no sábado, dia 28 de novembro de 1992, porque apareceu uma foto de seu irmão no jornal. Imediatamente depois, seu irmão Tiburcio, Calixta e a testemunha se trasladaram ao Centro de Detenção Provisória para ver seus irmãos, mas já haviam tirado José Ángel de lá. Depois visitaram hospitais; primeiro o de Los Magallanes de Catia, depois o necrotério de Bello Monte e depois Los Teques. Seu irmão Tiburcio entrou no local onde estavam os cadáveres, tentando reconhecer José León, mas não o encontrou. Tiburcio “saiu transtornado”, já que os cadáveres estavam “jogados no chão”. Finalmente, foram a Victorio Santaella e lá lhes disseram que o haviam enterrado, o mesmo lhes foi dito no necrotério de Los Teques. No ano de 2005, com a assistência do COFAVIC, regressaram ao necrotério de Los Teques e, nesta oportunidade, puderam identificar seu irmão. Seu irmão havia recebido um disparo na perna e o retiraram vivo do presídio, jogaram-no em uma caminhonete onde supostamente o levariam para buscar ajuda. Até agora, as autoridades não entregaram o cadáver. Sua mãe ficou muito comovida pelo ocorrido. A testemunha ainda sofre pelo ocorrido e lamenta que não tenha um lugar aonde possa levar uma vela ou um ramalhete de flores. d) Declaração de Maria Auxiliadora Zerpa de Moreno, irmã de Benjamín Eduardo Rodríguez Seu irmão Benjamín tinha 20 anos de idade quando morreu durante os fatos ocorridos em 27 de novembro de 1992, no Centro de Detenção Provisória de Catia. Benjamín esteve preso dois anos neste centro penitenciário, apesar de nunca terem tido certeza sobre o motivo de sua detenção. Para visitá-lo, tinham de fazer uma fila desde a madrugada e depois passar pela revista, a qual era verdadeiramente terrível, entrava-se em um quarto muito pequeno, aí estava uma mulher que ordenava tirar a roupa, agachar-se e fazer força.

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