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dormiam no chão, em colchões ou pequenos colchonetes. Este pavilhão tinha aproximadamente
40 x 40 metros. O pavilhão não tinha celas, era um salão espaçoso e todos tinham seu espaço
ou comunidade. A testemunha dormia no banheiro. Dentro da cela havia um banheiro grande,
que tinha três buracos como fossas sépticas.
Todos os pavilhões no Centro de Detenção Provisória de Catia eram perigosos, porque havia
muita superlotação e muitos presos. Havia internos que roubavam os outros presos. No pavilhão
em que estava havia quatro salões, com quatro celas, cada uma com aproximadamente 80
presos.
A comida era feita por ele mesmo, porque a do refeitório era péssima. No centro de detenção
não havia espaço para praticar esportes, porque o pátio estava inundado de sujeira, isso dava
nojo. Havia uma enfermaria, apesar de que o médico era um preso. Não havia controles
periódicos de saúde nem atividades produtivas, não havia oficinas, nada. Havia uma biblioteca,
mas não funcionava.
Sempre houve corrupção dentro do centro de detenção, os policiais tiravam o dinheiro dos
internos por qualquer razão. Para uma transferência ou para ser levado à enfermaria tinha que
pagar.
Em 27 de novembro de 1992, “houve chumbo e bombas de gás lacrimogêneo”. Abriram as portas
para que os internos saíssem, mas não abriram as portas da frente e, com isso, muitos saíram
pulando as paredes, então começou “a matança”. Foi quando disseram que os internos tinham
liberdade, mas isso era um engano, o que fizeram foi um massacre. Os internos eram
custodiados pela Polícia Metropolitana, foram eles que intervieram disparando das guaritas. A
Guarda Nacional chegou “quando acabou o tiroteio no dia 27 de madrugada”, já estava tudo
acalmado, nós estávamos recolhendo os cadáveres e colocando-os no pátio. A Guarda Nacional
chegou dando golpes e fazendo transferências de pessoas para todos os lados. Todos os internos
estavam nus no pátio, com a cabeça para baixo, no meio do esgoto e vermes. Passaram toda a
manhã no pátio, das quatro horas da manhã até o meio-dia agachados no pátio.
h)
Declaração de Edgar José López Albujas, jornalista
Segundo a testemunha, nas oportunidades em que a imprensa conseguiu ingressar nas
penitenciárias e reportar o que ali ocorre, a opinião pública ficou sabendo com horror das
deficiências quanto à infraestrutura física e de pessoal. Sobre a primeira, é evidente a
deterioração das edificações que, em sua maioria, abrigam o dobro e até o triplo da capacidade.
A superlotação gerou a utilização de espaços, inicialmente concebidos para atividades de
trabalho, estudo ou recreação, como celas, o que contribuiu a incrementar o ócio. O esgoto e o
mau cheiro são características comuns e os sinais mais visíveis da insalubridade extrema em
todas as penitenciárias venezuelanas. Os serviços de alimentação e atendimento médico são
muito precários e, em alguns casos, inexistentes.
Em 1993, a testemunha acompanhou um juiz penal numa vistoria no Centro de Detenção
Provisória de Catia. Conseguiu ver e mostrar à opinião pública, por meio de uma reportagem, a
proliferação de drogas, a imundície de todas as instalações, as dimensões insólitas, um metro
quadrado, das celas de castigo onde, nessa oportunidade, permaneciam dois presos, a carência
de enfermaria e medicamentos essenciais, bem como a insuficiência e incapacidade do pessoal
de custódia, entre outras coisas.
Em relação aos fatos ocorridos na madrugada de 27 de novembro de 1992, ouviu detonações
provenientes do interior da Penitenciária. A testemunha narra que na ala norte
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