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a)
Declaração de Carmen Yolanda Pérez Santoya, irmã de Wilcon Alberto Pérez
Santoya
A testemunha afirmou que era ela “quem dava acompanhava a [Wilcon Alberto]”, que estava
preso em um lugar “horrível, via muitas coisas ruins”. Visitava-o duas vezes por semana, nas
quartas-feiras e nos domingos, visita que durava das oito da manhã até as três horas da tarde.
Encontrava-se em sua casa quando aconteceram os ataques contra os internos do Centro
de
Detenção Provisória de Catia. Ficou sabendo por uma comadre que haviam assassinado Wilcon,
já que alguns garotos que estavam com seu irmão no Centro de Detenção Provisória de Catia lhe
avisaram. Quando aconteceu este ataque, muitos familiares estavam do lado de fora deste
centro de detenção: “gritando e chamando por seus familiares”. Os policiais ordenaram-lhes que
se retirassem da região do Centro de Detenção Provisória. Os familiares presentes não podiam
se aproximar porque disparavam contra eles.
Confirmou a notícia da morte de seu irmão quando o rapaz que havia avisado sua comadre gritou
de dentro do centro de detenção “olha Yolanda, mataram o Wilcon”. Depois, este rapaz contoulhe que seu irmão olhou pela janela de sua cela e lhe deram um tiro, de modo que morreu
instantaneamente. Foram seus companheiros que levaram seu corpo aos veículos que saíam
para o necrotério para evitar que o lançassem no rio Guaire, como lançaram muitos.
A testemunha começou a buscá-lo em todos os necrotérios da cidade porque não sabia
exatamente para onde o haviam levado. Um familiar de outro interno que havia morrido lhe disse
que fossem ao necrotério de Los Teques e foi aí que o encontraram depois de cinco dias de
busca. Os que o reconheceram disseram que estava inchado e tinha uma marca de bala na
cabeça. Não receberam colaboração do Estado na busca.
A morte de seu irmão a afetou muito, pois sempre se preocupou com ele. Sua mãe também se
viu afetada, ela queria se “jogar debaixo dos carros e se matar”. Sua mãe já não trabalha e dois
irmãos a sustentam financeiramente. Wilcon tinha uma menina de poucos meses, mas que não
recebeu seu sobrenome.
b)
Declaração de Nazario Ruiz, irmão de Inocencio José Ruiz Durán
Na época em que foi detido, Inocencio trabalhava como mensageiro motociclista e vivia com sua
mãe, sua companheira Xiomara del Carmen Uvan, e seus quatro filhos. Seu irmão Inocencio era
acusado do roubo de uma moto. Quando morreu, estava preso há quase dois anos e já tinha
ordem de soltura. Inocencio estava preso em uma cela pequena, junto com outros 20 presos.
Esta cela tinha uma janela que dava para o pátio e não tinha banheiro, razão pela qual a maior
parte do tempo os presos faziam suas necessidades fisiológicas em sacolas que jogavam no
pátio pela janela. Seu irmão sofria desde os oito anos de fortes dores de cabeça. Na penitenciária
não lhe davam nenhum medicamento para isso, nem sequer havia uma enfermaria. Solicitou
sua transferência, mas não foi atendido.
Em 27 de novembro de 1992, ficaram sabendo do ocorrido na penitenciária por meio da
televisão. Dirigiram-se imediatamente ao presídio, cujos arredores estavam lotados de mulheres
e homens desesperados perguntando por seus familiares. Viam-se mortos pelas adjacências do
centro de detenção, principalmente no riacho que estava atrás do local, onde havia muitos
corpos jogados. Os internos eram os que gritavam avisando sobre o que acontecia lá dentro e
quem haviam matado.
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