16 O pavilhão onde estava a testemunha continha, no mínimo, 400 presos. As celas de isolamento e de castigo estavam nessa seção. Essas celas eram pequenas e eram mantidas em um estado de sujeira horroroso. Havia muita água de esgoto infiltrada. O refeitório era grande, tinha seus banquinhos e estava em boas condições. A cozinha era o pior que havia nesse lugar, todos os alimentos que traziam eram horríveis. De manhã lhes davam “um pão com mortadela e fororo sem leite”, ninguém conseguia comer. Os familiares viram como era feita a comida e começaram a trazê-la. No pavilhão 2 havia um salão para advogados. O único local bom era esse. Havia visita íntima nas quartas-feiras. A visita íntima era na cela. Era uma cela de 14 beliches, 14 mulheres e 14 homens. Seus familiares lhe contaram que as revistas eram ruins, que passavam do ponto com as mulheres e lhes faziam coisas imorais. O pessoal encarregado da vigilância era formado por agentes do Ministério da Justiça. Havia aproximadamente 12 vigilantes para todo o presídio e dois para cada pavilhão. O regime disciplinar era ruim. Toda vez que haviam alguém machucado, todo mundo pagava. Eles mesmos agarravam e maltratavam os internos, levavam-nos ao castigo, davam-lhes golpes e depois que lhes batiam jogavam água com sal. Os vigilantes usavam vigas, paus, ferros, as laterais das camas, e com isso batiam nos internos. Quando a visita se retirava, os funcionários fechavam todas as portas e contavam os internos, depois entravam nas celas e quebravam tudo o que os familiares haviam trazido: os cobertores, as cortinas e a comida. Durante o tempo em que a testemunha esteve detida, nunca passou por um exame médico. Por volta das 5:00 horas da manhã do dia 27 de novembro de 1992, os internos estavam vendo pela televisão o Presidente Carlos Andrés Pérez falando sobre o levante militar e foi aí que os internos do pavilhão começaram a dizer que o governo tinha caído. Os policiais da guarita abriram as celas e pediam dinheiro para deixar os presos saírem. Se os internos pagavam, os deixavam sair, e os que não pagaram, eram mortos. Eles cobravam pela fuga. Ali houve um massacre, naqueles que colocavam a cabeça para fora, davam um tiro na testa. Havia francoatiradores. Por volta das 10 ou 11 horas da manhã, os policiais viram os buracos que haviam sido cavados e para justificar que alguém tinha fugido, mataram muitos presos. Tudo isso durou quase dois dias. Da zona 2 disparavam para dentro para matar os internos. Todos estavam aterrorizados, de forma que colocaram cadeado na porta. Os policiais da zona 2, os vigilantes e o diretor do centro de detenção estavam matando os presos com metralhadoras. Os internos gritavam aos familiares: “chamem os direitos humanos que estão nos matando”. A Guarda Nacional tomou o presídio quando tudo havia acabado. Eles não dispararam, eles foram os que transferiram os internos. Matavam os feridos na escada, diziam-lhes que saíssem para levá-los ao hospital, mas os levavam e os matavam. Eles não queriam ter testemunhas. Os internos que haviam sido feridos nunca tiveram assistência, a assistência que tiveram foi dada pelos próprios internos. Conseguiu falar com sua família depois de três semanas do ocorrido. Seus familiares estavam confusos porque não sabiam quem estava vivo e quem estava morto. A testemunha não conhece nenhuma investigação sobre estes fatos. g) Declaração de Osmar Guillermo Martínez Rivas, ex-interno Quando ocorreram os fatos a testemunha estava há 22 meses ali, de 1991 até maio de 1993. A testemunha se encontrava detida em um pavilhão que chamavam de “observação”, que estava lotado; por exemplo, ele estava em uma cela onde viviam 80 internos, todos

Select target paragraph3

Connect to a paragraph
Connect to an entity
Disable highlights
Add to table of contents