-24- Posteriormente, em 2001, foi reiniciada uma investigação da promotoria que durou até 2005. Desde então, o julgamento está na etapa oral. Nesse processo os familiares têm participação. Muitos dos acusados, esgotado o prazo para que continuassem processados sem sentença, foram libertados. Além disso, os autores intelectuais não foram julgados. Os familiares são também parte civil no processo contra Alberto Fujimori na Corte Suprema de Justiça. “O Estado não entende que para [os familiares] a justiça é uma necessidade como comer, como dormir, como sobreviver, porque […] desde a morte de [seus] familiares, não [podem] dizer que estã[o] vivendo; [eles sobrevivem] quando cada dia amanhece e não sabem o que [vão] esperar […] Realmente para [eles] a anistia é uma ameaça permanente, porque se trata de um Estado indiferente ao clamor das vítimas. […] O Estado não fez nem o suficiente nem nada para que todos os que têm responsabilidade sejam punidos no Caso La Cantuta”. Em que pese o Estado ter reconhecido sua responsabilidade neste caso perante a Comissão Interamericana, os familiares decidiram renunciar ao processo de solução amistosa, posto que não era vontade do Estado cumprir seu compromisso. Não recebeu nenhuma indenização, reparação ou pedido de perdão por parte do Estado. Entretanto, seus pais, herdeiros legais de seu irmão, receberam uma indenização do Estado, por ordem da sentença do CSJM. Uma reparação integral deve partir de um reconhecimento público e de um pedido de perdão por parte do Estado. Além disso, o Estado deve proporcionar atendimento de saúde física e mental, oferecer bolsas de estudo e criar espaços de memória, pois “cada uma das vítimas no [Peru tem] direito ao reconhecimento […] público”. “O Olho que Chora” foi impulsionado pela sociedade civil num espaço doado pelo Município de Jesus Maria, em Lima. Entretanto, o Estado “não pode ser mesquinho e crer que esse memorial […] é tudo o que as vítimas merecem”. Além disso, o Estado deve reconhecer que o que ocorreu com as dez supostas vítimas é história oficial, e deixar de dizer que eram subversivos ou terroristas. Na verdade, o Estado “utilizou métodos e formas também terroristas para acabar com a vida de estudantes universitários”. Não concorda com a análise feita pela Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) no Caso La Cantuta, quanto ao “contexto geral de como se vivia na Universidade […], das circunstâncias de convivência dos alunos” porque “não corresponde […] à verdade”. Além disso, desde 2003, quando a CVR apresentou seu relatório, até o momento, suas “recomendações não foram implementadas ou atendidas pelo Estado”. Solicitou que o Estado reconheça publicamente que violou os direitos das supostas vítimas e de seus familiares. Seu irmão “continua sendo assassinado pelas costas a cada dia que ocorre um fato impune e a cada dia que [o]s assassinos [...] não são castigados.” Os familiares são tratados “como cidadãos de segunda classe”, sem direitos, e já estão cansados e assustados por não saber quanto tempo mais terão de “hipotecar [sua] vida a essa luta, que deveria ser a luta do Estado peruano e não somente [deles]”. Finalmente, solicitou à Corte que “cada um dos que têm responsabilidade por violações dos direitos humanos [sejam] punidos”; que se escreva a história oficial sobre o Caso La Cantuta; que sejam reparados integralmente; e que seus familiares sejam reverenciados como vítimas do Estado. b) Raida Cóndor Sáez, mãe de Richard Armando Amaro Cóndor

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