perita que “sua vida se transformou em tolerar o profundo vazio que ambos os filhos deixaram em sua família e em sua história”376. 285. Outrossim, a perita observou um dano psicológico nas pessoas avaliadas, e, no caso de Victoria Eneri Landaeta Galindo, isto implicou que desde a morte de seus irmãos, sofreu de transtornos de sono e inclusive teve “fantasias onde dialogava com eles durante sua atividade lúdica”377, o que fez com que seus pais a levassem a terapia psicológica e psiquiátrica. Por sua vez, Francy Yellut Parra relatou que tanto ela como Igmar Landaeta estavam animados e tinham muitos planos para quando sua filha Johanyelis Alejandra Landaeta Parra nascesse378), entretanto, estes planos foram frustrados com a morte dele. A filha, que ainda não havia nascido no momento dos fatos, já que sua mãe se encontrava no quinto mês de gestação, apontou que “embora não houvesse conhecido seu pai, sente a necessidade de saber dele e de seu afeto”379. A respeito desta última, a Corte a reconhece como vítima, já que além do período de gestação, também experimentou a dor, por ter vivido rodeada de pesar e de insegurança pela falta de determinação da verdade dos fatos, somado aos efeitos que a ausência de seu pai e a forma de sua morte causaram em sua vida os sentimentos de angústia e sofrimento380. 286. Por outro lado, a Corte declarou a violação dos artigos 8 e 25 da Convenção. Em virtude disto, o Tribunal considera que o grupo familiar, em seu conjunto, foi afetado pela ausência de uma investigação completa, diligente e efetiva e pela falta de acesso à justiça, o que agravou os sentimentos de dor, impotência e angústia381. Em relação a isto, a perita Claudia Carillo apontou que “a busca pela verdade e por justiça”382, durante 18 anos, transformou-se no projeto de vida da família Landaeta Mejías. 287. A Corte considera que o desgaste físico e emocional derivado dos fatos e a busca por justiça causou um impacto negativo no conjunto familiar, principalmente em relação aos aspectos econômicos, sociais e trabalhistas383. Da mesma maneira, do expediente perante a Corte, depreende-se que María Magdalena Mejías Camero e Ignacio Landaeta envolveram-se desde o início nas investigações, prestando declarações em foro interno. Além disso, este Tribunal constata que Ignacio Landaeta foi a pessoa que participou de maneira mais ativa para impulsionar o processo, através das declarações oferecidas, dos escritos apresentados e das múltiplas solicitações de levantamento de provas e recusa de alguns operadores de justiça (pars. 376 Relatório Pericial Psicológico praticado por Claudia Carrillo Ramírez de 29 de janeiro de 2014, supra (expediente de mérito, fl. 861) 377 Relatório Pericial Psicológico elaborado por Claudia Carrillo Ramírez de 29 de janeiro de 2014, supra (expediente de mérito, fl. 858). 378 Cf. Declaração prestada perante notário público por Francy Yellut Parra Guzmán, em 23 de janeiro de 2014 (expediente de mérito, fl. 788). 379 Declaração apresentada perante notário público por Francy Yellut Parra Guzmán, em 23 de janeiro de 2014 (expediente de mérito, fl. 794). 380 Os efeitos da morte de Igmar Landaeta sobre a vida de sua filha, que lhes geram um sentimento de “ansiedade, tristeza, irritabilidade e temor” foram declarados por sua mãe, Francy Yellut Parra Guzmán, e confirmados pela perita em seu relatório. Cf. Relatório Pericial Psicológico elaborado por Claudia Carrillo Ramírez com relação a Johanyelis Alejandra Landaeta Parra, em 29 de janeiro de 2014, supra (expediente de mérito, fl. 861). Cf. Inter alia, Caso Contreras e outros, supra, par. 122; e Caso Gudiel Álvarez e outros (“Diário Militar”), supra, par. 287. 381 Cf. Caso Família Barrios, supra, par. 310, e Caso Luna López, supra, par. 212. 382 Relatório Pericial Psicológico elaborado por Claudia Carrillo Ramírez, de 29 de janeiro de 2014, supra (expediente de mérito, fl. 861). 383 Cf. Relatório Pericial Psicológico elaborado por Claudia Carrillo Ramírez, de 29 de janeiro de 2014, supra (expediente de mérito, fl. 856).

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