-17Sua filha estudava pedagogia e queria “construir e dirigir uma escola”. Soube do desaparecimento da filha “porque ela deveria regressar numa sexta-feira e não voltou, então fo[i] à Universidade buscá-la e o Exército não [o] deixou entrar”. Sentiu “um nervosismo, teve um pressentimento de que algo desagradável ia acontecer[. Posteriormente,] ao ver o nome dela [no jornal começou] a chorar, porque s[entiu] que alguma coisa havia acontecido com ela”. Ele e o irmão apresentaram uma denúncia à Promotoria. Entretanto, “nunca deram satisfação sobre [seu] pedido”. Quando soube que haviam encontrado fossas, sentiu “raiva, impotência, injustiça, cólera, pelo abuso que os militares haviam cometido”. Numa das fossas encontrou as meias da filha. Então pensou que o que aconteceu “havia sido um ato premeditado, pérfido e ordenado por alguém”. A família sofreu ameaças. Ligaram para sua casa e lhe diziam que “calasse a boca, porque também teria a mesma sorte”, e também o chamavam de terrorista (“terruco”). Deixavam em sua casa ameaças anônimas que diziam “que era melhor que [s]e calasse porque [l]he custaria caro”. A perda da filha “desfez todo o projeto futuro de trabalho, de vida familiar. […] Era a única filha”. Além disso, tinham a “esperança de ter outras fontes de renda”. “[O desaparecimento de sua filha causou] uma tristeza coletiva, de toda a família, d[a] casa, d[os] tios, até d[o] povoado, porque não a viam chegar”. Obteve-se justiça “em parte” porque os autores intelectuais estão livres. Entretanto, sabese da “verdade macabra que ocorreu”. “A única coisa que pode aliviar [a dor] é que os autores materiais e os autores intelectuais cumpram uma pena exemplar”. Solicitou à Corte que se faça um estudo científico dos ossos encontrados para que lhe entreguem alguns dos restos mortais da filha. Finalmente, solicitou que a Corte ordene ao Estado que “cumpra as devidas reparações morais e materiais [e] que se faça justiça”. f) Rosario Carpio Cardoso Figueroa, irmão de Juan José Mariños Figueroa Quando soube da prisão do irmão “foi assessorado por um amigo da polícia que [o] acompanhou a diferentes lugares, [mas] os resultados foram infrutíferos”. Seu amigo lhe disse que “esse modo […] de levar os alunos era prática do Exército, e que eles não costumavam sequestrá-los ou prendê-los. Sua prática era matá-los[. O] tempo lhe deu razão.” Seus pais, na serra, nada souberam do desaparecimento de seu irmão até cerca de três meses depois. Para eles e para todos os irmãos “foi a notícia mais triste de sua vida e a mais dramática”. Em seguida ao desaparecimento do irmão, esteve fora do país por quase dois anos, na Argentina. Viajou “porque sentia o ambiente estranho, que a qualquer momento [o] levariam[; tinha] medo, porque [ele também estudava na] La Cantuta, [seu] irmão [estava] desaparecido e [diziam] que sua irmã tinha bombas[.] Logo soube que o irmão estava[…] morto[…]. Nesse momento [sentiu] uma dor terrível. Nesses anos não havia chorado como chorou naquele dia”. O desaparecimento do irmão “mudou a vida [da família; seus] irmãos e [ele]; deixaram[ram] de estudar, [se] desintegra[ram] como família.”

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