17 fábrica Produtos Paraíso del Peru S.A. (doravante denominada “Produtos Paraíso do Peru”), propriedade do senhor Ivcher. Todas estas reportagens passaram a ser tratadas pelo Congresso da República e tiveram repercussões em âmbito internacional. Outro método de assédio utilizado foi a campanha de desprestígio contra o senhor Ivcher Bronstein, realizada nas revistas Si e Gente: ambas com forte influência militar. Finalmente, depois da denúncia de espionagem telefônica realizada pelo Serviço de Inteligência a diferentes personalidades, publicou-se no Diário Oficial “El Peruano” a “Resolução de Diretoria” que suspendia o título de nacionalidade peruana do senhor Ivcher, o que motivou que, em 19 de setembro, forças policiais, dirigidas por um juiz “bastante questionado”, interviessem no Canal para entregar a administração do mesmo aos senhores Samuel e Mendo Winter Zuzunaga (doravante denominados os “irmãos Winter” ou os “acionistas minoritários”). Depois disso, a linha informativa do Canal mudou totalmente, defendendo o Governo e as Forças Armadas a todo momento. b) Testemunho de Baruch Ivcher Bronstein, suposta vítima do caso Chegou ao Peru em julho de 1970, para trabalhar durante dois anos em uma “pequena fábrica chamada Produtos Paraíso do Peru”, junto com seu irmão e alguns sócios. Em 1983 iniciou os trâmites para obter a nacionalidade peruana, que conseguiu ao final de 1984. Antes de 1996 nunca havia sido condenado civil ou penalmente, nem dentro nem fora do Peru. Em 1985, adquiriu uma participação entre 11% e 12% das ações do Canal 2. Em 1986, obteve 49,53% das ações e, em 1992, chegou a 53,95%, “que é o mesmo que [possui] hoje em dia”. Este Canal se transformou e chegou a ser um dos primeiros em audiência. Entre dezembro de 1995 e fevereiro ou março de 1996 foi criada uma unidade de investigação e se reestruturou o programa Contrapunto, o qual denunciou o caso do “narco avião” e tornou públicas as declarações contra o senhor Montesinos de um traficante de drogas conhecido como “Vaticano”, o que trouxe como consequência a retirada dos tanques e soldados que protegiam o Canal desde que, em 1992, havia sofrido um ataque terrorista. Além disso, no dia seguinte, o senhor Alberto Venero se apresentou em seu escritório e lhe disse que havia desprestigiado as Forças Armadas e lhe recordou que era um peruano nacionalizado e que tinha interesses em uma fábrica de colchões no Equador (naquela época se falava muito do conflito Peru-Equador). Por último, deu a entender que devia cuidar-se muitíssimo, o que considerou como uma ameaça direta. Posteriormente, começaram a promover os programas de Contrapunto referentes ao senhor Montesinos, chamados “Vladimiro I e II”. Nesse momento o senhor Venero ligou, oferecendo que almoçasse com o senhor Montesinos, reunião esta que nunca se levou a cabo e, em 29 de setembro de 1996, os programas mencionados foram transmitidos. Depois disso, uma agente do Serviço de Inteligência do Exército, conhecida como “Besitos”, lhe disse que estavam investigando sua conexão com o Exército equatoriano, mencionou que era um israelense nacionalizado e lhe advertiu que se cuidasse porque queriam matálo. Em janeiro de 1997, o senhor Pandolfi, Primeiro Ministro do Peru, e o senhor Joy Way, Deputado, foram a seu escritório e lhe ofereceram o equivalente, em soles, a 19 milhões de

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