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As ameaças provinham dos Serviços de Inteligência ou das Forças Armadas em geral.
Houve uma época em que enviaram faxes a vários jornalistas e programas de televisão que,
em geral, investigavam temas militares. Em um deles ficou registrado o número de onde foi
enviado; depois de uma investigação jornalística, determinou-se que provinha de uma
empresa cujo proprietário era o Coronel Rubén Wong. Ainda quando existia esta evidência,
nem a Promotoria nem qualquer outro órgão iniciou o processo judicial correspondente. Em
todos os casos de ameaças ou de campanhas de desprestígio, sempre existia o mesmo
padrão; era sistemático. Desde 27 de março de 1998, e durante os oito meses seguintes, os
jornalistas Angel Páez, chefe da unidade de investigação do jornal La República, José
Arrieta, que foi chefe da unidade de investigação de Frecuéncia Latina, e ele, que havia sido
editor de segurança do Semanário Caretas e colunista de La República, foram acusados de
serem traidores da pátria e terroristas, por terem supostamente atacado as Forças Armadas
e o senhor Montesinos. Obtiveram decisões favoráveis por parte de “duas das poucas juízas
honestas do Poder Judiciário”. A Juíza Greta Minaya assinou a decisão de 10 de maio, a qual
se deu a conhecer no dia 11. Em 12 de maio, foi transferida de cargo sem nenhuma razão.
A outra juíza emitiu uma decisão similar, assinou seu parecer em 12 de maio, e o deu a
conhecer esse mesmo dia e no dia seguinte, 13 de maio, também foi transferida de cargo.
Com respeito à campanha de desprestígio, os jornais sensacionalistas tinham uma influência
direta por parte do Exército. Foi demonstrado que haviam chegado, via fax, várias
manchetes a um destes jornais da imprensa marrom, provenientes do gabinete do senhor
Bresañe, responsável por relações públicas do Comando do Exército. Simultaneamente
apareciam as mesmas notícias nos jornais, o que tornava óbvia sua procedência. Por outro
lado, um grupo de trabalhadores de El Chato se demitiu e denunciou, com provas, que o
proprietário daquele jornal recebia até US$6.000,00 (seis mil dólares dos Estados Unidos da
América) por manchete publicada que chegava ao jornal, que por sua vez devia inventar a
notícia correspondente. A ideia era exibir estes jornais como cartazes nos postos de venda.
Outro método utilizado foi a publicação de um jornal apócrifo, chamado República. Para
isso, copiaram a tipografia e o logotipo do jornal La República e começaram a distribuir
gratuitamente exemplares nos quais atacavam os jornalistas e o proprietário do jornal
original. A investigação de uma instituição estatal demonstrou que este jornal era editado e
distribuído através de dois jornais da imprensa marrom comprometidos nesta campanha.
Apesar de ter identificado a fonte, nunca houve uma investigação do Ministério Público, nem
judicial, ainda quando se estava cometendo delito ao publicar o jornal apócrifo.
Era notório o interesse em controlar a televisão. Para isso se utilizavam mecanismos
econômicos contra as empresas. A Superintendência de Administração Tributária era
particularmente estrita com quem era crítico do Governo, e extremamente liberal com quem
não era. A publicidade estatal foi a mais importante em 1999 e a primeira metade de 2000,
devido à crise e à recessão, mas foi usada com propósitos políticos e de pressão sobre os
meios de comunicação; os adeptos do Governo recebiam informação privilegiada e os meios
críticos não recebiam sequer a informação que devia ser pública.
A atuação do aparato judicial também teve efeito intimidatório sobre o resto dos
proprietários de meios de comunicação, que se atemorizavam quando se privava a algum
deles da propriedade de seu veículo.
Estes casos ocorriam de forma sistemática, não isoladamente. No plano do golpe de 1989,
que não ocorreu até 1992, era previsto que se devia coordenar “com os responsáveis,
empresários e promotores dos meios de comunicação, a autocensura e o marco de ação que
lhes seria permitido nesta conjuntura”. A partir de dezembro de 1996, existiram os Planos