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1362, de 11 de dezembro de 2002, e impõe as custas de todo o processo à parte
denunciante.
A CSJ considerou que houve falta de impulso do acionante (seis meses)- A.I. 1645., o que
configura uma relutância a utilizar as faculdades ordenatórias reconhecidas na legislação
processual e, fundamentalmente, a obrigação de aplicar a Constituição acima de qualquer
argumento ou obstáculo processual, ao menos em casos como o presente, em que o
transcurso do tempo fazia cada dia mais evidente a arbitrariedade de que era objeto o
Engenheiro Canese. (Ver Sapena, Josefina. Jurisprudência Constitucional. Arbitrariedade).1
A este respeito, a Corte Interamericana estabeleceu firmemente que os juízes, “como
orientadores do processo, têm o dever de dirigir e encaminhar o procedimento judicial com
o fim de não sacrificar a justiça e o devido processo legal em prol do formalismo e da
impunidade”,2 que é o que ocorreu de forma manifesta no caso em estudo, em direto
detrimento dos direitos constitucionais do Sr. Canese.
4.- O A. I. nº 409, de 29 de abril de 1994, Juiz de Primeira Instância Civil, Primeiro
Turno, impede sua saída. O pedido de autorização para sair do país é um capítulo todo
especial e assim foi considerado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, pois
evidentemente não se tratava de um argumento para a fuga. O Juiz, os juízes que
denegaram os pedidos de saída, e os que permitiram que se mantivesse durante tanto
tempo, evidentemente incorreram na violação das garantias constitucionais e dos direitos
reconhecidos na Convenção. Obviamente deverão oportunamente ser separadas e
determinadas as responsabilidades, pois é distinta a responsabilidade do juiz que denegou o
pedido, do que permitiu que se mantenha tanto tempo e daquele que interveio durante
pouco tempo.
5.- A liberdade de imprensa e o interesse público. O debate se estabeleceu no
contexto do interesse público, aspecto que evidentemente não foi considerado
pelos magistrados intervenientes. Apenas assim se compreende a extrema rigorosidade
nos critérios adotados, que converteram um simples processo de difamação e injúria, ao
menos no campo das medidas cautelares, em um caso paradigmático de arbitrariedade
judicial. Mais de oito anos sem que nenhuma instância judicial utilizasse suas faculdades
ordenatórias para reconduzir o processo ao seu curso regular.
Os autores eram pessoas privadas, não o Estado paraguaio, tratava-se de um litígio
entre particulares onde se debatiam assuntos de indubitável interesse geral. Os sócios do
Conempa se envolveram com o interesse público e então deve-se admitir a
primazia do mesmo sobre o dos particulares, como expressamente consagra a
Constituição paraguaia em seu artigo 128.
Observa-se aqui a condenação penal como limitação indireta da liberdade de
expressão, o que consumou uma violação do artigo 13 da Convenção Americana.
6.- Proibição de sair do país e prazo razoável. Desde a S.D. de primeira instância
até que se tornou definitiva, passaram oito anos. Remetendo-nos aos argumentos
expostos na decisão, demonstra-se uma aberta restrição de saída durante quase
oito anos, o que configurou uma flagrante e arbitrária violação da presunção de
inocência (artigo 17.1), da liberdade e segurança das pessoas (artigo 9 CN) e da
defesa em julgamento (artigo 16C.N.), direitos todos estes reconhecidos na Convenção,
1
Sapena, Josefina. Jurisprudencia Constitucional.
2
Caso Myrna Mack Chang, Nº 211.