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Fundo Mundial para a Natureza, World Wildlife Fund. Eles contrataram
Universidade de Iowa, e esta universidade o contratou para fazer esse trabalho.
a
Os resultados do estudo que realizou com a Comunidade Awas Tingni foram
documentados, primeiro como relatório preliminar, em 1996, no qual apresentou um
mapa das terras do assentamento de Awas Tingni, e depois em outro relatório de
janeiro de 1999. O propósito de fazer este último relatório foi ampliar o relatório de
1996, já que esse teve caráter preliminar, e, além disso, porque, ao retornar, deu-se
conta de que havia muitas coisas que queria conhecer da história da Comunidade
Mayagna. Entre esses dois relatórios não existem contradições, embora no segundo
tenha se aprofundado do ponto de vista etnográfico, de modo a obter maiores
detalhes para respaldar o estudo.
A Comunidade Awas Tingni elaborou um mapa, aproximadamente no ano de 1992,
sem contar com sua assessoria, realizaram-no por si mesmos e o apresentaram
quando começou o estudo da testemunha. Segundo os Mayagna, esse mapa
representa o território que lhes pertence. Neste mapa é possível ver a fronteira, o
lugar onde se assenta a comunidade principal, onde estão localizadas outras
comunidades, os lugares sagrados e outros lugares mais antigos nos quais viveram
antes. Também se vê o Rio Wawa, que corre a partir do oeste e chega à Costa
Atlântica.
Há outros dois mapas elaborados pela testemunha. O primeiro deles foi elaborado
em 1996, com um sistema de computação chamado Sistema de Informação
Geográfica (GIS, sigla em inglês). O que fez foi colocar os dados e elementos
recompilados pela Comunidade para determinar o território em toda sua extensão.
Nesse mapa é possível observar o assentamento da Comunidade Awas Tingni, o Rio
Wawa, Tuburús, os lugares sagrados e também a fronteira. O segundo mapa,
preparado em 1999, é quase igual. A diferença principal é que está feito à mão, mas
ambos os mapas são baseados na mesma informação.
A metodologia para a elaboração do mapa foi a seguinte: primeiro se iniciou na
Comunidade Awas Tingni com um Sistema de Posicionamento Geográfico (GPS, sigla
em inglês), que trabalha com base em satélites. Na primeira etapa, subiu o Rio
Wawa com cinco membros da comunidade, para tomar dados sobre o uso da terra
em todo o território e para confirmar a informação que haviam recebido da
Comunidade. Na segunda etapa, os membros da Comunidade, depois de haver
recebido uma capacitação por parte da testemunha, percorreram o território com o
aparelho GPS. Eles registraram mais de 150 pontos de referência nessas visitas.
Para realizar o trabalho de localização de pontos de referência a fim de elaborar o
mapa, foram capacitados dois jovens da Comunidade. Assim, sua elaboração no
campo foi feita pelos indígenas de Awas Tingni. Uma vez colocada essa informação
no sistema de localização de pontos não há forma de ser manipulada.
Os pontos de referência obtidos foram traçados em um mapa base, elaborado por
um cartógrafo profissional (estudante de direito da Universidade de Harvard, que
havia aprendido a manejar o Sistema de Informação Geográfica -GIS, sigla em
inglês- e que era um especialista em computação).
Para falar dos Mayagna como comunidade, tudo tem de ser visto como um processo.
Atualmente é um grupo que tem liderança e forma de organização social próprias e
que se reconhece como uma comunidade indígena.