31. O peticionário solicita que a Comissão declare que o Estado do Brasil violou os artigos 4 (direito à vida), 8 (direito a garantias judiciais) e 25 (direito à proteção judicial) conjugado com o artigo 1.1 (obrigação de respeitar direitos) da Convenção e recomenda ao Estado que 1) reabra a investigação sobre a morte de Gilson Nogueira mediante sindicâncias minuciosas e rigorosas do envolvimento da polícia, em especial de Jorge Luiz Fernandes; 2) processe, nos limites máximos permitidos pela lei, os que forem direta e indiretamente responsáveis por essa morte; 3) proporcione proteção às pessoas que se disponham a testemunhar contra agentes da polícia e do Estado; e 4) pague indenização à família de Gilson Nogueira. 32. No que respeita ao Subsecretário de Segurança Pública, Pinto, os peticionários solicitam que a Comissão recomende a ação do Estado no sentido de 1) investigar seus antecedentes e revelar o seu envolvimento em atividades criminosas, bem como processá-lo de conformidade com a legislação brasileira; 2) destituí-lo do cargo de titular da Delegacia de Capturas, e 3) suspendê-lo das funções de policial. 33. Os peticionários também solicitam à Comissão que recomende ao Estado que 1) monitore a independência e a integridade do Poder Judiciário; 2) apóie os esforços realizados pela Procuradoria-Geral do Estado no sentido de pronunciar criminalmente e processar membros da polícia local; 3) suspenda imediatamente de suas funções os policiais estaduais envolvidos em ações criminosas e reverta as ordens judiciais que permitem a Jorge Luiz Fernandes deixar regularmente o local de sua detenção; e 4) esclareça e fortaleça o poder do Governo Federal nas controvérsias com autoridades estaduais. 34. Em 5 de agosto de 2000, os peticionários atualizaram a informação sobre a investigação e o processo criminal. Segundo essas informações, em 1998 um dos atuais peticionários, James Cavallaro, na época diretor do escritório do Human Rights Watch (HRW) no Brasil e produtores de documentários filmados ligados à British Broadcasting Corporation(BBC) tiveram a oportunidade de encontrar-se com um ex-policial do Rio Grande do Norte. Este ex-policial (cujo nome é reservado por motivo de segurança e que é chamado de “Luis”) proporcionoulhes informação sobre policiais e funcionários civis da Secretaria de Segurança Pública, que teriam participado em ações atribuídas aos “Meninos de Ouro”, com os quais teria trabalhado vários anos como agente policial. 35. Essas informações indicaram também que Luis lhes havia revelado a existência de um local, distante de 10 a 15 quilômetros de Natal, onde os corpos das vítimas dos esquadrões de extermínio “Mão Branca” e “Meninos de Ouro” eram enterrados. Luis também proporcionou detalhes sobre a conspiração para matar o advogado Gilson Nogueira e sobre seu assassinato. De acordo com Luis, quatro integrantes do esquadrão da morte (dois de cada subdivisão do “Meninos de Ouro”) participaram no assassinato sob a direção do Subsecretário de Segurança Pública, Maurílio Pinto de Medeiros. Os quatro participantes, segundo Luis, seriam Maurílio Pinto Jr., Otávio Ernesto, Jorge Luis Fernandes (conhecido como o Abafador) e o policial Admilson Fernandez. 36. O então Diretor do HRW e os jornalistas da BBC teriam se encontrado com Luis em diversas ocasiões, obtendo em cada caso maiores informações sobre o padrão das mortes e a localização do cemitério clandestino. Luis informou também o nome das vítimas. Os profissionais da BBC e do HRW verificaram esses nomes nos arquivos dos jornais locais e encontraram vários deles como mortos ou desaparecidos. Os profissionais da BBC filmaram uma das entrevistas em que Luis apresentou ampla informação e, em particular, os detalhes do assassinato de Gilson Nogueira. 37. Segundo estas informações prestadas pelo peticionário, os profissionais do HRW e da BBC também entraram em contato com o repórter investigativo Caco Barcellos, da rede Globo de televisão, o qual por sua vez entregou essa informação às autoridades da Polícia Federal em Brasília. Com base nos dados sobre a existência de um cemitério clandestino, combinados com a informação sobre a morte de Gilson Nogueira, a Polícia Federal obteve um mandado de busca para entrar na propriedade em que estaria localizado o local onde eram descartados os corpos. O terreno pertencia ao ex-policial civil Otávio Ernesto. 6

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