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representantes legais ou à autoridade competente emitir seu consentimento quanto ao
tratamento a ser empregado.117
i) Cuidados mínimos e condições de internação dignas
131. Os Princípios para a Proteção dos Doentes Mentais e para a Melhoria do Atendimento de
Saúde Mental, das Nações Unidas, oferecem um guia útil para determinar se o atendimento
médico observou os cuidados mínimos com vistas à preservação da dignidade do paciente. Os
princípios 1, 8 e 9 estabelecem as liberdades fundamentais e os direitos básicos e as normas de
atendimento médico e do tratamento a ser prestado às pessoas portadoras de deficiência mental.
Ademais, o lugar e as condições físicas em que se desenvolve o tratamento devem estar de
acordo com o respeito à dignidade da pessoa, de acordo com o princípio 13.
132. A Corte considera que as precárias condições de funcionamento da Casa de Repouso
Guararapes, tanto as condições gerais do lugar quanto o atendimento médico, se distanciavam de
forma significativa das adequadas à prestação de um tratamento de saúde digno, particularmente
em razão de que afetavam pessoas de grande vulnerabilidade por sua deficiência mental, e eram
per se incompatíveis com uma proteção adequada da integridade pessoal e da vida.
ii) O uso da sujeição
133. Entende-se sujeição como qualquer ação que interfira na capacidade do paciente de tomar
decisões ou que restrinja sua liberdade de movimento. A Corte observa que o uso da sujeição
apresenta um alto risco de ocasionar danos ao paciente ou sua morte, e que as quedas e lesões
são comuns durante esse procedimento.118
134. O Tribunal considera que a sujeição é uma das medidas mais agressivas a que pode ser
submetido um paciente em tratamento psiquiátrico. Para que esteja de acordo com o respeito à
integridade psíquica, física e moral da pessoa, segundo os parâmetros exigidos pelo artigo 5 da
Convenção Americana, deve ser empregada como medida de último recurso e unicamente com a
finalidade de proteger o paciente, ou o pessoal médico e terceiros, quando o comportamento da
pessoa em questão seja tal que esta represente uma ameaça à segurança daqueles. A sujeição
não pode ter outro motivo senão este e somente deve ser executada por pessoal qualificado e
não pelos pacientes.119
135. Ademais, considerando que todo tratamento deve ser escolhido com base no melhor
interesse do paciente e em respeito a sua autonomia, o pessoal médico deve aplicar o método de
117
Cf. Princípios para a Proteção dos Doentes Mentais e para a Melhoria do Atendimento de Saúde Mental, nota 32
supra, princípios 9.4 e 11; Organização Mundial da Saúde. Divisão de Saúde Mental e Prevenção do Abuso de Substâncias.
Dez Princípios Básicos das Normas para o Atendimento da Saúde Mental, nota 37 supra, princípios 5, 6 e 9; Organização
Pan-Americana da Saúde, Declaração de Caracas, aprovada pela Conferência Regional para a Reestruturação da Atenção
Psiquiátrica na América Latina, em 14 de novembro 1990, art. 3; Associação Psiquiátrica Mundial (APM), Declaração de
Madri sobre Normas Éticas para a Prática Psiquiátrica, aprovada pela Assembléia Geral da APM em 25 de agosto de 1996,
revisada em 26 de agosto de 2002, preâmbulo e par. 4; e World Psychiatric Association (WPA), Declaration of Hawaii/II,
adopted by the WPA General Assembly on 10th July 1983, p. 2 e 5.
118
Cf. Normas do Comitê Europeu para a Prevenção da Tortura e das Penas ou Tratamentos Desumanos ou
Degradantes, CPT/Inf/E (2002) 1 – Rev. 2004. Extraído do 8º Relatório Geral CPT/INF(98) 12, par. 47 a 49; American
Hospital Association/National Association of Psychiatric Health Systems, Guiding Principles on Restraint and Seclusion for
Behavioral Health Services, 25 February 1999; American Geriatrics Society Position Statement: Guidelines For Restraint
Use, Last Updated January 1st, 1997; e American Medical Association, Guidelines for the Use of Restraints in Long-Term
Care Facilities, June 1989, p. 5.
119
Cf. Princípios para a Proteção dos Doentes Mentais e para a Melhoria do Atendimento de Saúde Mental, nota 32
supra, principio 11.11.