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d)
as investigações judiciais e os relatos jornalísticos revelaram que os
envolvidos trabalhavam para a inteligência militar; eram membros do
Exército peruano, que atuavam no “esquadrão de eliminação”, chamado
“Grupo Colina”, que realizava seu próprio programa antissubversivo.
Diversas informações indicam que os fatos do presente caso ocorreram em
represália contra supostos integrantes do grupo Sendero Luminoso;
e)
uma semana depois do ataque, o Congressista Javier Diez Canseco
apresentou à imprensa uma cópia de um documento intitulado “Plano
Ambulante”, o qual descrevia uma operação de inteligência realizada na cena
do crime.
Segundo esse documento, os “subversivos” se reuniam no
domicílio onde ocorreram os fatos do presente caso desde janeiro de 1989,
disfarçando-se sob a aparência de vendedores ambulantes. Em junho de
1989, o Sendero Luminoso realizou um ataque, a uns 250 metros do lugar
onde ocorreram os fatos em Barrios Altos, no qual vários dos agressores se
disfarçaram de vendedores ambulantes;
f)
em 14 de novembro de 1991, os Senadores da República Raúl Ferrero
Costa, Javier Diez Canseco Cisneros, Enrique Bernales Ballesteros, Javier Alva
Orlandini, Edmundo Murrugarra Florián e Gustavo Mohme Llona solicitaram ao
plenário do Senado da República que fossem esclarecidos os fatos relativos ao
crime de Barrios Altos. Em 15 de novembro do mesmo ano, a Câmara de
Senadores aprovou essa petição e designou os Senadores Róger Cáceres
Velásquez, Víctor Arroyo Cuyubamba, Javier Diez Canseco Cisneros, Francisco
Guerra García Cueva e José Linares Gallo para integrarem uma Comissão
investigadora, instalada em 27 de novembro de 1991. Em 23 de dezembro
de 1991, a Comissão efetuou uma inspeção ocular no imóvel onde ocorreram
os fatos, entrevistou quatro pessoas, e realizou outras diligências. A Comissão
senatorial não concluiu sua investigação, pois o “Governo de Emergência e
Reconstrução Nacional”, iniciado em 5 de abril de 1992, dissolveu o
Congresso. Depois disso, o Congresso Constituinte Democrático, eleito em
novembro de 1992, não retomou a investigação e tampouco publicou o que já
havia sido investigado pela Comissão senatorial;
g)
ainda que os fatos tenham ocorrido em 1991, as autoridades judiciais
somente iniciaram uma investigação séria sobre o incidente em abril de 1995,
quando a Promotora da 41ª Promotoria Provincial Penal de Lima, Ana Cecilia
Magallanes, denunciou cinco oficiais do Exército como responsáveis pelos
fatos, incluindo vários indivíduos já condenados no caso La Cantuta. Os cinco
acusados eram o General de Divisão Julio Salazar Monroe, então Chefe do
Serviço de Inteligência Nacional (SIN), o Major Santiago Martín Rivas, e os
Suboficiais Nelson Carbajal García, Juan Sosa Saavedra e Hugo Coral
Goycochea. A mencionada Promotora tentou em várias oportunidades, sem
êxito, exigir o comparecimento dos acusados para que prestassem
declaração. Consequentemente, formalizou a denúncia perante a 16ª Vara
Penal de Lima. Os oficiais militares responderam que a denúncia deveria ser
dirigida a outra autoridade e destacaram que o Major Rivas e os suboficiais
encontravam-se sob a jurisdição do Conselho Supremo de Justiça Militar. Por
sua vez, o General Julio Salazar Monroe negou-se a responder as intimações,
argumentando que exercia posto de Ministro de Estado e que,
consequentemente, gozava dos privilégios dos Ministros de Estado;