-31Na data dos fatos, seu irmão, Martín, se encontrava preso no pavilhão 4B do presídio Castro Castro em prisão preventiva. Na quarta-feira, 6 de maio de 1992, ao escutar o noticiário no rádio, se aproximou do presídio e pôde observar que atiravam nos prisioneiros enquanto a multidão de familiares implorava que “a matança parasse”. Pôde observar que “a promotora estava ali, vendo que atiravam, desde o primeiro dia, em presos indefesos”. A polícia começou a disparar e a lançar bombas de gás lacrimogêneo na multidão de familiares nas proximidades do centro penal, composta principalmente por mulheres, por ser dia de visita feminina. Muitas delas estavam grávidas, com crianças ou eram idosas. A testemunha, que estava grávida de nove meses, caiu e foi pisoteada pela multidão ao tentar fugir dos disparos e das bombas de gás lacrimogêneo. Pensou que perderia o bebê e, por isso, decidiu voltar para casa. Em consequência da angústia “dolorosa” que viveu, “inconscientemente retev[e o] parto”. Deu à luz em 10 de maio de 1992. O que viveu nesses dias teve impacto na filha, que esteve em tratamento psicológico e passou a ter medo das pessoas. A testemunha não dispõe dos recursos econômicos para pagar esse tratamento, e quer que se ofereça ajuda profissional à filha. A três semanas de dar à luz, a testemunha se aproximou do presídio para ver o irmão, que estava ferido, mas não lhe permitiram visitá-lo. Somente em agosto ou setembro conseguiu vê-lo pela primeira vez, mas somente através de telas. Seu irmão finalmente está sendo julgado, depois de passar 15 anos na prisão sem sentença. 5. Osilia Ernestina Cruzatt viúva de Juárez, mãe da suposta vítima Deodato Hugo Juárez Cruzatt Seu filho estava detido no Presídio Castro Castro e “era líder entre os presos políticos”. Visitava-o às quartas-feiras e aos sábados, e percebeu que estava “amarelo, e osso e pele”. Na quarta-feira, 6 de maio de 1992, foi visitar o filho no presídio, mas não conseguiu entrar porque os militares e policiais lançavam bombas de gás lacrimogêneo e impediam sua passagem. Seu filho morreu “na véspera do dia das mães”. Foi receber seu corpo no necrotério, onde viu cadáveres “queimados que não podiam ser reconhecidos”. Também viu “uma amiga de [seu] filho, […] chamada Elvia [que estava] morta”, “[t]inha a barriga inchada e lhe haviam arrancado as unhas”. Quando encontrou o corpo do filho, notou que “[t]inha o peito perfurado por baionetas até as costas. […] Tinha seis ou sete balas alojadas no peito [e] nas costas […, l]he haviam arrancado ou cortado o pênis”, e disparado na cabeça. Conseguiu obter uma ordem para a retirada do corpo e enterrou o filho nesse mesmo dia, para o que teve de pedir emprestados “$2.500”. As consequências da traumática morte do filho foram difíceis de enfrentar. Para seus filhos “não era fácil encontrar trabalho por causa do sobrenome [; …] o simples fato de serem irmãos de Hugo, morto assim, [os] colocava numa situação difícil”. Sofre de artrose, um braço não se movimenta bem, e também sofre de pressão emocional e insuficiência cardíaca. Considera que “[o] que ocorreu em Castro Castro não foi um motim”. Seu filho sabia que “iam entrar para matar, que iriam querer matá-lo”. Seu filho devia ter sido julgado e não assassinado. Solicitou que Alberto Fujimori seja julgado pelos crimes que cometeu no Presídio Castro Castro.

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