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Eva Sofía Challco Hurtado, suposta vítima
Referiu-se à sua detenção em setembro de 1991, e salientou que deu entrada no Presídio
Castro Castro em 10 de outubro de 1991, quando estava grávida. No momento dos fatos
deste caso estava no sétimo mês de gravidez.
Nem ela nem seu advogado nem sua família foram informados sobre a suposta
transferência que se pretendia realizar. Quando começou o ataque, estava dormindo no
quarto andar do pavilhão 1A. As forças peruanas fizeram buracos com explosivos em todo o
teto e começaram a disparar por esses buracos. Enquanto isso, “[t]odo o andar estava
inundado de gases asfixiantes” e muitas das prisioneiras desmaiavam por asfixia.
Aproximadamente às cinco ou seis da tarde, conseguiu chegar ao pavilhão 4B, onde se
encontravam prisioneiros feridos. Os militares lançaram querosene ou gasolina e “chamas
de fogo” de cima do teto.
“Na tarde de sábado” ouviu uma voz dizendo “vamos sair. Não disparem”. Entretanto, os
militares dispararam as metralhadoras e “alguns [internos] caíam, outros continuavam
andando”. Caiu-lhe um fragmento no pé, teve de arrastar-se e foi obrigada a se jogar no
chão, junto com outras mulheres “ensanguentadas e molhadas”, onde foi pisoteada e
obrigada a ficar de bruços por horas, apesar da gravidez.
Em 10 de maio de 1992, foi transferida para o Presídio Cristo Rey, em Ica, juntamente com
outras 52 mulheres, aproximadamente. Foram distribuídas cerca de oito internas por cela.
As celas tinham pouco espaço, não tinham banheiro e só dispunham de duas camas de
cimento. A única entrada de luz das celas era pelos buracos que havia no teto, por onde
lhes “jogavam, às vezes, até ratos”.
Em 27 de junho de 1992, deu à luz a um bebê prematuro num hospital de Ica, por meio de
cesariana, já que a posição do bebê no útero não era normal. Ficou com o filho somente
cinco dias, por medo da constante ameaça contra sua segurança e integridade no presídio.
Durante o tempo que passou na prisão viu o filho “muito poucas vezes”, e finalmente pôde
“ser sua mãe” quando saiu da prisão dez anos mais tarde.
No início de 1993, foram transferidas para a prisão de Santa Mónica, ocasião em que
utilizaram bastões elétricos contra elas e as espancaram de maneira “horrível”.
A experiência vivida repercutiu na saúde de seu filho, que apresenta alterações no sistema
nervoso e “[n]ão pode sofrer emoções fortes. Nem tristezas nem alegrias fortes”. Em
consequência das condições carcerárias descritas, a testemunha contraiu tuberculose e hoje
sofre de polineurite. Também teve depressão, e sua família se viu fortemente afetada pelas
sequelas do massacre.
7.
Luis F. Jiménez, testemunha ocular dos fatos de maio de 1992 17
Era advogado da Secretaria Executiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos no
momento dos fatos. Em 6 de maio de 1992, foi procurado por um familiar de um dos
presos, que lhe pediu que se aproximasse do presídio, “o mais rápido possível, pois havia
começado uma operação de forças combinadas do Exército e da Polícia para transferir os
17
Na resolução do Presidente de 24 de maio de 2006 (par. 65, supra) delimitou-se o objeto desse
depoimento para que apresentasse declaração “sobre os fatos que aconteceram na prisão Miguel Castro Castro na
condição de testemunha ocular dos fatos de maio de 1992, de acordo com os termos estabelecidos no
Considerando 37 da […] resolução”. Segundo o disposto nessa resolução, a testemunha devia referir-se aos fatos
dos quais teve conhecimento pessoal e direto.