-34ajuda. Foram usadas bombas incendiárias, que contêm gás de fósforo branco que, ao contato com o corpo humano, provoca ardência nas partes descobertas e nas fossas nasais, além de causar asfixia e “queimação” química dos órgãos internos e da pele. Considera que o propósito foi “matá-los a todos em massa”. Tratou-se de um “ataque militar”, “[n]ão houve ali nenhum motim”. As forças armadas combinadas mataram várias pessoas, e de dentro de um helicóptero destruíram o pavilhão 1A. No pavilhão 4B, o interno Cesar Augusto Paredes morreu em virtude de um disparo na cabeça. Em 9 de maio de 1992, morreu o senhor Mario Aguilar, em decorrência de queimaduras no corpo. A quantidade de feridos e mortos era considerável. Os internos decidiram sair gritando “não disparem, vamos sair”. Em pouco tempo, a testemunha ouviu rajadas de tiros e gritos, e quando saiu à soleira da porta de entrada do pavilhão, reconheceu vários mortos, entre os quais estavam Deodato Hugo Juárez e Janet Talavera. Homens fardados e encapuzados levaram Antonio Aranda e Julia Marlene à “cozinha”, onde estavam fuzilando internos. Os internos que sobreviveram foram colocados de bruços no chão cheio de vidro, sob a chuva, sem alimentação adequada, e foram maltratados, espancados, pisoteados e mordidos por cães. Os maus-tratos continuaram durante os meses seguintes. Em algumas revistas obrigavam os internos a sair nus nos pátios, os torturavam com bastões elétricos e os submetiam a revistas nas partes íntimas do corpo. Em consequência desse tratamento, sofre de uma dor crônica lombar, perda da capacidade de visão do olho direito e ferimentos no braço esquerdo. 8. Jesús Ángel Julcarima Antonio, suposta vítima Referiu-se à sua detenção e à transferência para o Presídio Castro Castro, em 8 de novembro de 1991. Sua condição legal era de réu, não havia sido julgado nem haviam sido formalizadas acusações contra ele. Após algumas notícias na imprensa peruana, que informavam que dentro do presídio havia armas e túneis, os presos foram submetidos a uma minuciosa revista na qual ficou claro que não possuíam armas nem havia túneis construídos por eles no presídio. Os fatos se iniciaram na madrugada de 6 de maio de 1992, quando se ouviram explosões no pavilhão 1A, onde se encontravam as mulheres. Os internos se deslocaram até esse pavilhão por dutos, para socorrer as internas. Quando chegaram havia cheiro de pólvora, se sentia uma ardência na garganta e não se podia respirar. Havia mortos e feridos. Os disparos que os militares faziam do teto em direção ao pavilhão 1A mataram Marcos Calloccunto e feriram gravemente Víctor Javier Olivos Peña. A testemunha foi ferida por uma bomba, situação que se complicou com a tuberculose de que já sofria. Nesses fatos também ficou ferido Jesús Villaverde. Durante o tempo do ataque os internos não receberam alimentos, água, nem atendimento médico. Alguns feridos morreram por falta de atendimento. Os agentes estatais mataram pessoas seletivamente, como Janet Talavera. Depois de suportar quatro dias de ataques, os sobreviventes foram transferidos para a zona chamada “terra de ninguém”. Foram obrigados a ficar nus, ao ar livre, deitados de bruços, e não podiam utilizar o banheiro. Foram espancados e pisoteados. A testemunha não recebeu atendimento médico, e permaneceu mais de 15 dias com a mesma roupa.

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