-36Posteriormente a esses fatos, a testemunha foi transferida com outros feridos para um hospital onde, durante quase toda sua permanência e em pleno frio, as mantiveram despidas e cobertas somente por um lençol, até que finalmente permitiram que a Cruz Vermelha lhes desse um cobertor e uma camisola. Durante a permanência das mulheres no hospital, foram vigiadas por três seguranças armados. Tinha uma sonda para eliminar a urina, que só foi mudada uma vez durante um mês. No hospital não lhes deram nenhum remédio, sendo este o motivo da morte de María Villegas. Depois de 15 dias, foi transferida junto com outras mulheres feridas para o presídio de segurança máxima de Chorrillos, mas o médico do presídio não quis se responsabilizar pelo que pudesse acontecer, e foi devolvida ao hospital junto com outras companheiras; tinham feridas abertas. Depois de um mês, foi transferida novamente para o presídio de Chorrillos. Necessitava urgentemente de reabilitação física, que lhe foi negada repetidamente. Depois de mais de um ano foi levada a um centro especializado, mas seus músculos já se haviam então atrofiado, condição apontada pelos especialistas como irreversível por falta de reabilitação física. Os especialistas consideraram que havia possibilidades de que a testemunha recuperasse a movimentação em uma das pernas se se submetesse a reabilitação diária, tratamento que não pôde realizar porque as autoridades carcerárias não a levavam. Depois, foi transferida para o Instituto Nacional de Reabilitação, onde diagnosticaram que só podia manter a massa muscular ainda existente, mas as autoridades impediram o tratamento de reabilitação devido. Em duas ocasiões sofreu queimaduras na pele com uma bolsa de água quente. A respeito dos ferimentos que estavam abertos, só lhe foi dado um creme antibiótico pelo médico do presídio, até que foi levada ao hospital por exigência de sua família. As internas também foram vítimas de espancamentos por parte das forças de segurança, tais como os que lhes foram aplicados em 25 de setembro (avalizado pela promotora Mirtha Campos) e em novembro de 1992. Foi arrastada pelo corredor junto com outras presas, e tiveram todo o corpo pisoteado “sem respeitar as mulheres grávidas, idosas, ou doentes”. Uma vez no chão, os guardas andaram e pularam sobre suas costas, e colocaram o membro entre as nádegas de outras presas. Referiu-se a seu julgamento em 1994 por um tribunal especial sem rosto. Referiu-se a vários problemas por que passa em consequência do ferimento à bala e da falta de reabilitação física, tais como: paraplegia parcial afetando os membros inferiores; hemorroidas por constipação severa e crônica; constantes infecções nas vias urinárias; inflamações no reto, em virtude da falta de elasticidade dos músculos; osteoporose, em consequência da falta de movimento e da superlotação na prisão; e problemas nas vias respiratórias e articulações graças à umidade e às infiltrações nas celas. Além da saúde e de bens materiais, perdeu o trabalho e seus planos de aperfeiçoamento e desenvolvimento profissional. Sofreu um grande dano moral e sequelas emocionais devido às já descritas “violações que denegriram [sua] dignidade como pessoa e como mulher”. As lesões descritas impediram que desenvolvesse qualquer atividade ou trabalho, e tiveram um profundo impacto em sua família, afetando especialmente sua mãe e suas irmãs (uma delas foi detida e a outra despedida do trabalho). Solicitou à Corte que se faça justiça para que “esses fatos não fiquem impunes, e que [lhe] seja concedida uma justa reparação pelos danos causados a [sua] família[,] a [sua] saúde física e mental e a [sua] honra”. 11. Cesar Mamani Valverde, suposta vítima

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