-52carregam uma grande quantidade de energia cinética, a qual tende a ricochetear ao tocar o
alvo, causando ainda mais dano. Essas armas de ataque de grande velocidade são, em
geral, usadas na guerra, e não em ambientes fechados como as prisões.
2.
Thomas Wenzel, perito em distúrbios psicológicos em sobreviventes
de tortura e em transtorno por estresse pós-traumático
Referiu-se a quatro fatores importantes que podem prognosticar o desenvolvimento de
sequelas de longo prazo nas vítimas: a exposição à violência física extrema com a qual se
viram ameaçadas a vida e a integridade das pessoas, tendo em vista as lesões graves; a
exposição a longos períodos de traumas físicos que desenvolvem consequências graves de
trauma; a perda completa de regras e do trato social, que tem grande impacto sobre os
sistemas psicológicos e biológicos do corpo; e a perda da dignidade e transferência de
culpabilidade nas vítimas.
Os fatores prévios e posteriores ao ocorrido no Presídio Castro Castro podem ter influência
nas sequelas de longo prazo, como, por exemplo, a falta de acesso a tratamento e a
violência traumática, como a tortura, antes e depois do evento principal na prisão.
A manutenção das mulheres nuas no hospital pode ser uma técnica de tortura psicológica.
Os sintomas de uma pessoa com transtorno por estresse pós-traumático por ter sido
torturada são: a incapacidade de interagir numa família, bem como de se concentrar e
dormir adequadamente; a destruição completa das funções biológicas do cérebro e do
corpo; a destruição dos padrões de sono, com a occorência de pesadelos; e problemas no
trabalho. Numa pessoa torturada, essas sequelas poderiam se transformar em algo
permanente, se não for oferecido o tratamento adequado. O grave impacto na família pode
se converter numa segunda traumatização. Além disso, as crianças, que são expostas ao
trauma grave dos pais, sofrem consequências de longo prazo.
Quanto à reabilitação, devem ser levadas em conta as implicações sociais, especialmente o
estigma e os sentimentos de humilhação e culpabilidade. O sofrimento dos familiares tem
de ser abordado de maneira adequada e sustentável, mediante intervenções na comunidade
e na sociedade. Se a pessoa foi acusada erroneamente de algo, e lhe atribuem a culpa pelo
que ocorreu, será impossível que ela possa interagir em seu ambiente novamente.
Referiu-se aos diferentes tipos de reparação simbólica e enfatizou que se deve tratar cada
vítima individualmente. Primeiro, deve-se realizar um diagnóstico da vítima, porque esta
poderia estar muito traumatizada. Um especialista deve realizar a avaliação individual, e,
em muitos casos, a avaliação tem de ser multidisciplinar. Por meio da avaliação, se deve
elaborar um plano de reabilitação que permita que a pessoa retome sua vida. Deve-se
convencer as vítimas a procurar tratamento, e é preciso que, na comunidade, haja acesso a
esses tratamentos e a padrões de diagnóstico de forma individual. É necessário desenvolver
medidas de orientação comunitária e atender às famílias, já que muitas foram
traumatizadas gravemente e sofrem junto com o sobrevivente. Em algumas ocasiões, o
trauma é tão grave que é quase impossível tratá-lo.
Salientou que a tensão em que vive a mãe pode ter impacto no desenvolvimento e na vida
da criança, especialmente se essa tensão ocorre nos últimos três meses da gestação.
As pancadas na sola dos pés “provoca[m] uma dor muito grande, permanente [e] muito
difícil de tratar”, e “afeta[m] todo o sistema nervoso [devido a que ]a sola dos pés tem uma
alta densidade de sensores nervosos”. O tratamento dispensado aos prisioneiros