-19indenize de forma justa a todos os irmãos e a todos os familiares que sofreram as
consequências do desaparecimento de [seus irmãos], que o Estado publicamente assuma
sua responsabilidade, que se ofereça apoio médico e psicológico gratuito a todos os
familiares das vítimas e que […] o Estado localize a companheira de [seu irmão] Benjamín
[…] e a indenize”.
d)
Ana Arminda Bareiro, viúva de Mancuello, mãe do senhor Carlos José
Mancuello Bareiro
A testemunha afirmou que seu filho “era um democrata e lutador pela vigência dos direitos
humanos no país [e] estava contra o regime ditatorial”. Declarou que, em 1974, seu filho foi
detido por funcionários do Departamento de Investigações da Polícia da Capital, junto com
sua esposa Gladis Ester Ríos de Mancuello, a qual nomomento em que ocorreram os fatos
se encontrava grávida, e, também levava sua filha Claudia Anahí. A senhora Bareiro, viúva
de Mancuello, declarou que, em reiteradas ocasiões, chegou a “se disfarçar de vendedora
ambulante para poder entrar [no lugar onde seu filho estava detido] e recolher alguma
informação sem ter êxito algum [e que] depois de dois meses […] pôd[e falar] com o
Ajudante do Chefe do Departamento de Investigações a quem pediu que [lhe] entregassem
[sua neta] que se encontrava com [seu] filho e sua esposa”. Aproximadamente cinco meses
depois as autoridades aceitaram entregar-lhe sua neta. A testemunha assinalou que “[lh]e
consta” que seu filho “foi submetido a terríveis torturas físicas e todo tipo de abusos”, já
que ela via “sangue impregnado nas roupas que [ele lhe] enviava para lavar”.
Posteriormente, seu filho desapareceu
A testemunha manifestou que interpôs uma queixa criminal em razão dos fatos. Também
manifestou que realizou gestões para localizar o lugar onde seu filho estaria sepultado, mas
que todos seus esforços foram em vão e que até hoje “t[em] a certeza de que [seu] filho foi
eliminado fisicamente e o Estado […] não fez absolutamente nada para informá-la sobre
onde se encontra sepultado seu corpo”. Manifestou ter recorrido aos Arquivos do Terror,
onde encontrou “fotos de [seu] filho, fichas policiais, elementos de interrogatório aos que
havia sido submetido”.
A senhora Bareiro de Mancuello expressou que a ausência de seu filho a “destroçou” e que
desde o dia de sua detenção está doente. Seus outros filhos também sofrem enfermidades e
depois dos fatos “lhes negavam trabalho em todo lugar”. O desaparecimento de seu filho
afetou a todos emocional e fisicamente. Assinalou que para a esposa de seu filho, “a
ausência do marido, somada às violações cometidas contra sua pessoa, causou-lhe enormes
trastornos psíquicos […]. A seus filhos lhes afetou e lhes continua afetando, pois o
sofrimento se revive dia a dia”. Declarou que seu neto Carlos Marcelo nasceu na prisão onde
permaneceu com sua mãe até a data em que ambos foram libertados.
A senhora Bareiro de Mancuello disse que, antes do desaparecimento de seu filho, viviam do
salário que ganhava seu esposo e da ajuda que recebiam de seu filho Carlos. Depois de seu
sequestro e de seu desaparecimento deixaram de receber o que este contribuía, e seu
esposo foi demitido do cargo que ocupava “em consequência da perseguição que continuou
contra [sua] família, mesmo depois de perder [seu] filho”. Portanto, nem sua nora nem ela
tiveram nenhum ingresso econômico durante os primeiros anos da detenção de seu filho,
tendo que viver “da caridade das organizações religiosas, […] pass[ando] muitas
necessidades, tanto na alimentação, atenção à saúde e outros elementos básicos […] para
uma vida digna”.
A senhora Bareiro, viúva de Mancuello, solicitou “indenizações justas de acordo com os
danos” sofridos por ela, sua nora, seus netos e seus filhos. Além disso, solicitou à Corte que
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