-21dos anteriormente torturados até perderem a consciência”. Assinalou também que lhe
“consta […] o sequestro e desaparecimento forçado do doutor Agustín Goiburú”.
h)
Ricardo Andrés Lugo Rodríguez, ex-detido no Departamento de Investigações
A testemunha declarou que conheceu os senhores Carlos José Mancuello Bareiro, Rodolfo e
Benjamín Ramírez Villalba devido ao fato de que foram “privados d[a] liberdade [junto com
ele] e fo[ram] conduzidos ao local onde funcionava o Departamento de Investigações”.
Manifestou que os mencionados senhores “foram dizimados em sua resistência física […] e
psicológica pelos asseclas da ditadura, […] depois de terem sido objeto de diversas formas
de tortura”. Afirmou também “que os irmãos Ramírez e o [senhor] Carlos Mancuello foram
maltratados pelo próprio Pastor Coronel com objetos contundentes, porrete e seu próprio
“teyú ruguay” com o qual cada golpe produzia um corte na pele, por ter em sua ponta um
objeto de metal […], sem prejuízo do tratamento de mais de um mês na banheira, onde,
além de afogá-los na água, recebia[m] golpes com cassetetes nas extremidades inferiores
[…] ao que somaram o uso do magneto nos ouvidos, produzindo um ruído intenso”.
Declarou “que a última vez que [os viu] com vida […] foi no dia 13 de agosto de 1975”;
depois, soube “que na véspera de 21 de setembro de 1976 […] foram mortos no
Departamento de Investigações”.
i)
María Magdalena Galeano Rotela, companheira de Benjamín Ramírez Villalba
A senhora Galeano Rotela manifestou que foi companheira do senhor Benjamín Ramírez
Villalba, e que “vive[ram] juntos […] antes de que ocorressem as detenções e a invasão de
[sua] casa”. Declarou que o senhor Benjamín Ramírez Villalba “foi detido na rua [por
homens] fortemente armados, [que imediatamente o levaram] algemado e com uma pistola
apontada até a casa onde viv[iam] juntos.” A testemunha expressou que estas pessoas
“entraram [em sua casa, a] tomaram […] pelo cabelo […] e [a] sentaram ao lado do senhor
Villalba [que se encontrava em um carro. Essas pessoas lhes] apon[tavam] armas de fogo”.
Expressou que, posteriormente, foram conduzidos ao Departamento de Investigações onde
escutou os gritos do senhor Benjamín Ramírez Villalba, que estava “sendo torturado”.
Outrossim, a senhora Galeano Rotela declarou que “escut[ou] e vi[u] quando […]
torturavam [seu companheiro a quem] mantinham com os pés acorrentados e as mãos
algemadas”. Assinalou que seis meses depois de sua detenção foi submetida, em presença
do senhor Benjamín Ramírez Villalba, “a torturas com golpes de sabre, [lhe] jogaram água
gelada […] e [a] ameaçaram [de ser] estuprada”. Essa foi a última vez que viu seu
companheiro.
A testemunha expressou que “sofre[u] muito, […] sentia falta [do senhor Benjamín Ramírez
Villalba], sonhava com ele, o buscava [e] nunca pôde voltar a ter uma vida [de] casal”.
Além disso, expressou que “sent[e] temor [e que] viv[e] sozinha”. Assinalou também que
tem “pesadelos, crise de ansiedade, angústia [e] dificuldades para comer”. Expressou que
“[se] sent[e] impotente e frustrada [e que] há anos realiza um tratamento psicológico”.
A senhora Galeano Rotela manifestou que não recebeu, por parte das autoridades
paraguaias, nenhuma resposta sobre o ocorrido a seu companheiro. Expressou seu desejo
de que “se investiguem e esclareçam os fatos para terminar com a impunidade”. Ademais,
considerou que “se deve exigir do Estado que ponha à disposição todos os recursos para
investigar, esclarecer [os fatos e] localizar […] os até hoje desaparecidos, e reivindicar que
se torne pública a memória dos mesmos, em especial a do [senhor Benjamín Ramírez
Villalba], incluindo a criação de um Banco de Dados genéticos”.
j)
Rosa Mujica Giménez, irmã de Agustín Goiburú Giménez
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