-35Mujica Giménez, irmã do doutor Goiburú Giménez, padeceram de intensos sofrimentos
devido à detenção ilegal e ao desaparecimento do senhor Agustín Goiburú Giménez. Além
disso, apresentam sequelas físicas e psicológicas, ocasionadas pelos referidos fatos. A
dinâmica econômica da família também se viu afetada como consequência dos fatos deste
caso, já que a esposa do senhor Agustín Goiburú Giménez e seus filhos dependiam dele.
Detenção, tortura e desaparecimento forçado do senhor Carlos José Mancuello
Bareiro e os efeitos sobre seus familiares 33
61.30 O senhor Carlos José Mancuello Bareiro era cidadão paraguaio, nascido em 19 de
março de 1951. Estudava engenharia eletromecânica em La Plata, Argentina, e trabalhava
como empregado da empresa representante da marca Mercedes Benz, no Paraguai. Era
casado com a senhora Gladis Ester Ríos de Mancuello, com quem teve uma filha, nascida
em 18 de março de 1974, e um filho, nascido em 10 de agosto de 1975. Seus pais são o
senhor Mario Mancuello (que faleceu em 1994) e a senhora Ana Arminda Bareiro de
Mancuello. Seus irmãos são: Hugo Alberto, Ana Elizabeth, Mario Andrés e Emilio Raúl, todos
de sobrenome Mancuello Bareiro.
61.31 O senhor Carlos José Mancuello Bareiro foi detido em 25 de novembro de 1974, na
alfândega paraguaia, quando ingressava ao país, vindo da Argentina, com sua esposa Gladis
Ester Ríos de Mancuello e sua filha Claudia Anahí Mancuello Ríos, que nesse momento tinha
oito meses de idade.
61.32 A senhora Gladis Ester Ríos de Mancuello estava grávida e também foi detida e
levada para a prisão, junto com sua filha Claudia Anahí Mancuello Ríos, a qual foi
posteriormente entregue a seus avós paternos. A senhora Gladis Ester Ríos de Mancuello
permaneceu na prisão de 25 de novembro de 1974, junto com seu filho Carlos Marcelo
34
Mancuello Ríos, que nasceu na prisão em 1975, até 12 de novembro de 1977, data na
qual foram liberados e expulsos do país até a derrocada do regime ditatorial.
61.33 O senhor Mancuello era acusado de pertencer “a um grupo terrorista que preparava
um atentado contra Stroessner”, supostamente liderado pelo doutor Goiburú.
61.34 O senhor Carlos José Mancuello Bareiro esteve detido em uma pequena cela do
Departamento de Investigações da Polícia, onde também estavam Benjamín e Rodolfo
Ramírez Villalba, Amilcar Oviedo, María Magdalena Galeano, sua esposa Gladis Ester Ríos de
Mancuello e seu pai Mario Mancuello.35 Posteriormente, foi levado à “Guarda de Segurança”,
onde esteve detido em 1975, e em meados desse ano voltou às dependências do
33
Os parágrafos 61.31 a 61.41 sobre a “detenção, tortura e desaparecimento forçado do senhor Carlos José
Mancuello Bareiro e seus efeitos sobre seus familiares” da presente Sentença são fatos não controvertidos, que
este Tribunal considera estabelecidos com base no reconhecimento de responsabilidade efetuado pelo Estado.
Alguns destes fatos foram completados com outros elementos probatórios, em cujo caso se indicam as respectivas
notas de rodapé. Além disso, os parágrafos 61.31 e 61.42, sobre seus familiares, correspondem a fatos que se
consideram provados com base na seguinte prova: documentos oficiais (certidões de nascimento, matrimônio e
óbito), declarações testemunhais prestadas perante agente dotado de fé pública pelos familiares e documentos
apresentados como prova para melhor resolver.
34
Cf. declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) pela senhora Gladis Esther Ríos em
17 de maio de 2006 (expediente de declarações prestadas ou autenticadas perante agente dotado de fé pública,
folhas 6340, 6341 e 6343).
35
Cf. declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) pelo senhor Julio Darío Ramírez
Villalba em 18 de maio de 2006 (expediente de declarações prestadas ou autenticadas perante agente dotado de fé
pública, folha 6275).
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