-38Argentina com o objetivo de estudar e trabalhar, onde obteve emprego em uma companhia
de perfurações de petróleo e trabalhou como técnico em instalação de poços petrolíferos.
Por sua vez, o senhor Benjamín Ramírez Villalba se graduou como contador público quando
ainda vivia com sua família na cidade de Pilar, Paraguai, trabalhou no âmbito de sua
profissão e também colaborava com a manutenção de sua família.
61.46 Em 25 de novembro de 1974, os irmãos Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba foram
detidos. O senhor Benjamín Ramírez Villalba, que vivia em Buenos Aires, Argentina, foi
detido ao entrar no Paraguai, na cidade de Fernando de la Mora, quando ia visitar sua
companheira María Magdalena Galeano.40 Por sua vez, nessa mesma data, o senhor Rodolfo
Ramírez Villalba foi detido na cidade de Asunción.41 Ambos foram trasladados ao
Departamento de Investigações, onde permaneceram detidos.
61.47 Era atribuído aos irmãos Ramírez Villalba seu pertencimento “a um grupo terrorista
que preparava um atentado contra Stroessner”, supostamente liderado pelo doutor Goiburú.
61.48 Os senhores Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba estiveram detidos em uma pequena
cela do Departamento de Investigações da Polícia, onde também estavam detidos Carlos
José Mancuello Bareiro, Gladis Ester Ríos de Mancuello, Amilcar Oviedo, María Magdalena
Galeano e o senhor Mario Mancuello, pai de Carlos José Mancuello Bareiro (par. 61.34
supra). Posteriormente, foram levadas à “Guarda de Segurança”, onde estiveram detidos
em 1975, e em meados desse ano voltaram às dependências do Departamento de
Investigações. Desde então e até setembro de 1976, seus nomes “figurariam em todas as
listas de detidos do Departamento de Investigações”. Já em 1977, o Estado reconheceu
oficialmente a detenção de Rodolfo Ramírez Villalba e Benjamín Ramírez Villalba perante a
Comissão Interamericana.
61.49 Os senhores Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba permaneceram detidos por 22
meses, durante os quais foram submetidos a torturas e desaparecidos em circunstâncias
similares às do senhor Carlos José Mancuello Bareiro (pars. 61.35 a 61.40 supra). Seu
desaparecimento também corresponde ao modus operandi de desaparecimentos forçados
existentes no Paraguai à época.
61.50 Os familiares dos irmãos Rodolfo e Benjamín Ramírez Villalba também sofreram um
forte impacto emocional e psicológico devido ao desaparecimento dessas pessoas. Ademais,
padeceram dificuldades de ordem material, devido ao fato que os irmãos Ramírez Villalba
destinavam parte de seus ingressos econômicos à ajuda e à manutenção de sua família.
Sobre o processo penal aberto em relação ao caso do senhor Agustín Goiburú
Giménez42
40
Cf. declaração prestada perante agente dotado de fé pública (affidavit) pelo senhor Julio Darío Ramírez
Villalba, nota 35 supra, folha 6275.
41
Cf. Es mi informe, nota 11 supra, pág. 222. Segundo a declaração do senhor Julio Darío Ramírez Villalba,
o senhor Rodolfo Ramírez Villalba foi detido na cidade de Clorinda, província de Formosa, Argentina, por policiais
do Departamento de Investigações do Paraguai e policiais argentinos, e depois foi trasladado a esse Departamento.
Não obstante isso, nos termos do reconhecimento estatal, considera-se provado o modo e lugar da detenção do
senhor Rodolfo Ramírez Villalba segundo os fatos indicados na demanda da Comissão.
42
Os parágrafos 61.51 a 61.120 da presente Sentença, relativos aos três processos penais iniciados nos
casos das vítimas, são fatos que este Tribunal considera estabelecidos com base no reconhecimento de
responsabilidade efetuado pelo Estado e nos elementos probatórios dos autos dos processos penais internos, os
quais foram apresentados em sua maioria pela Comissão como anexos à demanda e prova para melhor resolver
apresentada pelo Estado.
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