12 transferido à Penitenciária Nacional de Támara, sem nenhuma advertência. No novo presídio, a situação piorou. A distância de seus familiares impedia que estes o visitassem, não havia assistência médica, a área da reclusão era mais reduzida e não contava com latrinas. Durante sua detenção, a comunidade garífuna permaneceu em um estado vulnerável. Vários projetos se perderam, incluindo a instalação de uma biblioteca pública e a construção de um centro de capacitação e alfabetização de idosos. Mesmo depois de ser libertado, sua família, sua comunidade e ele mesmo foram perseguidos. Durante os anos em que esteve privado de liberdade, nunca foi notificado pessoalmente de nenhuma sentença e tampouco teve a oportunidade de se apresentar perante um juiz. Manifestou que “durante esse tempo apenas conseg[iu] ver chibatas, armas de fogo, ‘pisadas’, maltrato de todo tipo”, e que “nunca houve nenhuma presença de autoridade legítima no ato”. c) Teresa Reyes Reyes, companheira do lar da suposta vítima Assim como seu companheiro, trabalhava na defesa do território garífuna como secretária e membro do CODETT e da OFRANEH. Por sua participação na defesa das terras, a testemunha e seu companheiro sofreram ameaças. Foi expedido mandado de prisão contra ela pela suposta usurpação de um terreno em disputa. No dia em que o senhor Alfredo López Álvarez foi detido, ela o encontrou na Promotoria em um estado muito ruim, machucado, parecia que havia matado alguém ou que tivesse cometido um crime grave; tinha correntes nos tornozelos, as algemas apertadas e estava inflamado e sangrando nos pulsos. A testemunha encontrou sua casa completamente arrombada e em mal estado; os vizinhos lhe disseram que havia sido a polícia. No início do encarceramento de seu companheiro no Centro Penitenciário de Tela, ela lhe levava água e comida todos os dias. Quando o visitava, os guardas da penitenciária lhes proibiam de realizar algumas atividades próprias da comunidade garífuna, como falar o idioma, e deste modo não podiam se comunicar livremente sobre o trabalho da comunidade. Depois, e em especial a partir de sua transferência à Penitenciária Nacional de Támara, ficou difícil visitá-lo com frequência; já que se encontrava a mais de três horas de estrada e sua situação econômica era precária. Não lhes permitiram se comunicar telefonicamente. Durante o período em que o senhor López Álvarez esteve detido, a situação econômica da testemunha se viu prejudicada, já que ela subsistia economicamente graças ao trabalho dele. Nos seis anos em que o senhor Alfredo López Álvarez esteve preso, sua família viveu atemorizada. Quatro companheiros foram detidos durante esse tempo e sua casa foi invadida em diversas ocasiões. Essa intimidação e a detenção do senhor López Álvarez traumatizou seus filhos. Teve de sustentar a família trabalhando com o CODETT e a OFRANEH, e aceitando contribuições de seus familiares. Considera que o senhor López Álvarez foi detido para afastá-lo da defesa da terra da comunidade garífuna, porque foi o dirigente que trabalhou com mais força na defesa da coletividade e pertenceu a quase todas as organizações de reivindicação comunitária. Depois de ser liberado, o senhor López Álvarez se reincorporou à luta pelas terras triunfenses a pedido dos membros da comunidade. Perícia

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