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cheiro putrefato muito forte. Depois abriram a porta de um fosso, onde haviam
aproximadamente 15 cadáveres, entre os quais reconheceu seu irmão. Posteriormente a
testemunha chamou sua irmã e sua mulher para informar-lhes que o haviam encontrado. Sua
morte produziu muita dor a seus familiares.
n)
Declaração de Nellys María Madriz, esposa de Víctor Jesús Montero Aranguren
O Centro de Detenção Provisória de Catia “não era digno de um ser humano”. Depois de conhecer
os fatos, foi à Promotoria, à polícia, e até levou testemunhas, mas “nunca [lh]e deram atenção”.
Deseja “que ao menos investiguem quem foi responsável pela […] morte de tantos presos e que
os detenham, não importa o tempo que seja […]. Eles os mandaram fugir, a lei de fuga[…]. Já o
Estado os havia processado […] e os obrigaram, até que começaram todos a fugir. Fugiam uns e
os que ficavam ali os mataram dentro. Corriam para o banheiro, corriam para o quarto, por
onde entravam se enfiava a polícia metropolitana ou os vigilantes e os matavam a tiros”.
Ainda se sente afetada pela morte de seu marido. Transcorreram quase 14 anos dos fatos e ainda
está doente dos nervos. Nessa época tinha dois filhos que eram pequenos e viviam doentes.
o)
Declaração de Arturo Peraza, sacerdote jesuíta
No momento em que começou seu trabalho no Centro de Detenção Provisória de Catia, havia
aproximadamente 3.500 a 4.000 internos. Começou a trabalhar na zona conhecida como o
“pavilhão 2 norte”, que correspondia aos artesãos, um dos lugares que, supostamente, era um
dos mais tranquilos. Entretanto, ali a população estava armada, havia muita droga, tinham
problemas de esgoto, má eletrificação, má alimentação e desnutrição, havia internos que viviam
constantemente trancados em suas celas e que não tinham possibilidades de sair, tomar sol,
poder circular por algum setor ou simplesmente caminhar. Nesta área, os internos tinham
grande temor de sair para buscar comida porque podiam ser assassinados. Era normal que
houvesse um interno encarregado de buscar e trazer a comida, ou a porção de comida do dia,
que era bastante sofrível.
Na área do porão, os internos não tinham acesso à luz, era um lugar escuro e frio. A testemunha
recorda que o chão e as paredes eram escorregadios, cobertos de excrementos humanos, a tal
ponto que faziam parte do próprio cimento. Havia uma grande quantidade de doenças entre os
internos, em sua maioria de tipo parasitárias e de pele. Os internos viviam quase
constantemente seminus.
A testemunha relata que os internos insistiram uma vez que tinha que ver algo que eles
chamavam “a fonte”. O fato era que às cinco e meia da tarde liberavam água para todo o Centro
de Detenção Provisória de Catia, porque este não tinha água durante todo o dia, mas às cinco e
meia da tarde começava a escorrer e o que acontecia era que todo o sistema de esgotos caía
nessas celas. Os quatro andares não tinham um sistema de esgoto que escoasse em um riacho
que estava ao lado. A água escoava no local onde estava este porão, onde estavam estes
internos, 450 homens aproximadamente em um local onde não caberia normalmente mais de 80
pessoas. Então isso enchia tudo e eles tinham de jogar os excrementos na parte externa do
pavilhão, ou seja, na porta, e se formava uma grande massa que chegava até o joelho e
normalmente durava dias e semanas ali. Pode-se
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