21 cheiro putrefato muito forte. Depois abriram a porta de um fosso, onde haviam aproximadamente 15 cadáveres, entre os quais reconheceu seu irmão. Posteriormente a testemunha chamou sua irmã e sua mulher para informar-lhes que o haviam encontrado. Sua morte produziu muita dor a seus familiares. n) Declaração de Nellys María Madriz, esposa de Víctor Jesús Montero Aranguren O Centro de Detenção Provisória de Catia “não era digno de um ser humano”. Depois de conhecer os fatos, foi à Promotoria, à polícia, e até levou testemunhas, mas “nunca [lh]e deram atenção”. Deseja “que ao menos investiguem quem foi responsável pela […] morte de tantos presos e que os detenham, não importa o tempo que seja […]. Eles os mandaram fugir, a lei de fuga[…]. Já o Estado os havia processado […] e os obrigaram, até que começaram todos a fugir. Fugiam uns e os que ficavam ali os mataram dentro. Corriam para o banheiro, corriam para o quarto, por onde entravam se enfiava a polícia metropolitana ou os vigilantes e os matavam a tiros”. Ainda se sente afetada pela morte de seu marido. Transcorreram quase 14 anos dos fatos e ainda está doente dos nervos. Nessa época tinha dois filhos que eram pequenos e viviam doentes. o) Declaração de Arturo Peraza, sacerdote jesuíta No momento em que começou seu trabalho no Centro de Detenção Provisória de Catia, havia aproximadamente 3.500 a 4.000 internos. Começou a trabalhar na zona conhecida como o “pavilhão 2 norte”, que correspondia aos artesãos, um dos lugares que, supostamente, era um dos mais tranquilos. Entretanto, ali a população estava armada, havia muita droga, tinham problemas de esgoto, má eletrificação, má alimentação e desnutrição, havia internos que viviam constantemente trancados em suas celas e que não tinham possibilidades de sair, tomar sol, poder circular por algum setor ou simplesmente caminhar. Nesta área, os internos tinham grande temor de sair para buscar comida porque podiam ser assassinados. Era normal que houvesse um interno encarregado de buscar e trazer a comida, ou a porção de comida do dia, que era bastante sofrível. Na área do porão, os internos não tinham acesso à luz, era um lugar escuro e frio. A testemunha recorda que o chão e as paredes eram escorregadios, cobertos de excrementos humanos, a tal ponto que faziam parte do próprio cimento. Havia uma grande quantidade de doenças entre os internos, em sua maioria de tipo parasitárias e de pele. Os internos viviam quase constantemente seminus. A testemunha relata que os internos insistiram uma vez que tinha que ver algo que eles chamavam “a fonte”. O fato era que às cinco e meia da tarde liberavam água para todo o Centro de Detenção Provisória de Catia, porque este não tinha água durante todo o dia, mas às cinco e meia da tarde começava a escorrer e o que acontecia era que todo o sistema de esgotos caía nessas celas. Os quatro andares não tinham um sistema de esgoto que escoasse em um riacho que estava ao lado. A água escoava no local onde estava este porão, onde estavam estes internos, 450 homens aproximadamente em um local onde não caberia normalmente mais de 80 pessoas. Então isso enchia tudo e eles tinham de jogar os excrementos na parte externa do pavilhão, ou seja, na porta, e se formava uma grande massa que chegava até o joelho e normalmente durava dias e semanas ali. Pode-se

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