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fuga por um túnel que haviam cavado ao lado das celas, debaixo da
Administração do Presídio. Dois deles foram recapturados.
Estes fatos
demostram a fragilidade da segurança na penitenciária, especialmente em
relação às revisões periódicas das celas. Apesar de que a Comissão Especial
sugeriu que se realizem revistas nas celas nos dias seguintes às visitas, o
Diretor Executivo da SUPEN informou que não seria possível devido à atual
estrutura da penitenciária;
d)
aproximadamente 150 presos ameaçados de morte ocupam as quatro
celas de “seguro” e a área de acceso aos celões 1 e 2. Durante a visita da
Comissão Especial em setembro de 2004, vários presos ameaçaram suicidar-se
caso não fosse resolvido o problema da superlotação. Atualmente os celões 3 e
4 estão superlotados. Os promotores de justiça de execução penal realizaram
uma vistoria no setor do “seguro” e verificaram as condições de total
insalubridade em que vivem os internos. As autoridades penitenciárias não
acataram o ofício que expediu o Juiz de Execução Penal em 28 de outubro de
2004, em que decidiu que todos os presos do seguro deviam ser localizados
dentro do pavilhão em ala separada e que deviam ser vigiados de forma
ininterrupta. Devido à falta de estrutura adequada na Penitenciária Urso Branco
não se vislumbra uma solução ao problema do “seguro”; e
e)
quanto às investigações, tal como informou o Estado, o Tribunal de
Justiça do Estado está tramitando a denúncia pelas mortes ocorridas em 2002.
Sem embargo, as demais investigações pelos homicídios ocorridos em 2002,
2003 e 2004 não estão recebendo a mesma atenção. Estão sendo resolvidas as
ações indenizatórias movidas pelos familiares dos presos mortos.
12.
O escrito de 20 de dezembro de 2004, mediante o qual a Comissão
Interamericana apresentou suas observações ao oitavo relatório estatal, depois de
uma prorrogação que lhe foi concedida pelo Presidente. Em síntese a Comissão
indicou que:
a)
quanto às medidas de proteção, reconhece a melhora quantitativa de
agentes penitenciários e considera importante o esforço realizado com a
implementação do Projeto de Justiça Itinerante na Execução Penal. Expressa
sua preocupação a respeito da demora nas obras de reforma da penitenciária e
a respeito da discrepância da informação proporcionada pelo Estado e pelos
peticionários das medidas sobre as vistorias periódicas às celas para verificar a
existência de armas. Reitera o expressado com anterioridade, no sentido de
que a obrigação de proteger a vida e a integridade dos internos da Penitenciária
Urso Branco não pode implementar-se de forma progressiva, mas deve ser feita
através de ações imediatas. Respeito às ações concretas que deveriam ser
adotadas, reiterou o expressado na audiência pública que se realizou em 28 de
julho de 2004;
b)
o problema de superlotação continua sendo preocupante. “[V]ê com
preocupação o fato de que [a] diminuição [que indicou o Estado] não parece ser
relevante visto que o presídio foi parcialmente destruído pela rebelião do mês
de abril de 2004, e portanto, teve sua capacidade populacional diminuída”. As
condições da Penitenciária desrespeitam as condições mínimas de segurança, de
espaço e sanitárias de acordo com os padrões internacionais sobre a matéria;
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