envio do presente de uma solicitação de medidas provisórias à Corte, a qual foi
registrada como MP 6-06;
b)
como antecedentes, a Comissão indicou os fatos violentos ocorridos no
estado de São Paulo, Brasil, a partir de 12 de maio de 2006, quando, segundo
os meios de comunicação, teria ocorrido mais de 70 rebeliões nos Presídios,
centros de detenção provisória (doravante “CDP”), cadeias públicas e Unidades
da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, as quais foram controladas no
dia 15 de maio de 2006;
c)
que nesse contexto e no mesmo mês de maio ocorreu uma rebelião no
CDP da Penitenciária de Araraquara, com capacidade para 496 pessoas, no
qual se encontravam reclusos 600 indivíduos. Esse CDP teria sido destruído
durante essa rebelião o que determinou a transferência das pessoas nele
reclusas para os pavilhões da Penitenciária de Araraquara, a qual já se
encontrava superlotada, posto que tinha capacidade para 750 e havia 1.000
indivíduos nela detidos. A partir de 15 de maio de 2006 essa Penitenciária
passou a contar com uma população de aproximadamente 1.600 pessoas;
d)
que em 16 de junho de 2006 as pessoas privadas de liberdade na
Penitenciária de Araraquara promoveram uma nova rebelião. Os pavilhões da
Penitenciária foram destruídos durante a rebelião e os reclusos foram então
transferidos a uma das alas do Centro de Detenção Provisória da Penitenciária
de Araraquara, cujas celas estavam destruídas desde a rebelião de maio. A ala
na qual se alojaram os 1.600 reclusos tinha capacidade para 160 pessoas;
e)
que após transferidas tais pessoas àquela ala, os agentes penitenciários
retiraram-se do local e soldaram a porta de acesso, isolando num pátio aberto
as 1.600 pessoas privadas de liberdade, as quais se encontravam sem seus
bens pessoais, sem roupas adequadas a temperaturas de aproximadamente 10
graus Celsius, sem colchões nem cobertores, sem remédios nem assistência
médica, sem produtos de higiene e sem eletricidade, que foi interrompida pelo
Estado para evitar que os privados de liberdade recarregassem seus telefones
celulares. Nessa ala do CDP haveria um máximo de 13 sanitários e 64 beliches
para os 1.600 reclusos, razão pela qual eles têm que fazer suas necessidades
em bolsas de plástico que são depois jogadas em um dos cantos da ala. A
maioria dos homens privados de liberdade tinha que dormir no chão de
cimento do pátio ao ar livre, o qual não teria suficiente espaço para que todos
estivessem simultaneamente deitados, o que obrigava os reclusos a amontoarse no chão e a dormir sentados ou de pé. As pessoas privadas de liberdade
são alimentadas com a comida que é lançada de fora por cima dos muros da
Penitenciária duas vezes ao dia;
f)
que os reclusos se encontram totalmente isolados do mundo exterior
desde que as portas foram soldadas e não têm comunicação com seus
familiares. O médico da Penitenciária não pode entrar na ala, devido à falta de
segurança, já que não há qualquer agente penitenciário. A Comissão indica
que nessa ala, dentre as pessoas privadas de liberdade, haveria doentes com
hepatite, tuberculose, HIV/SIDA, gripe, que sofrem de hipertensão e em
cadeira de rodas. Os reclusos não se encontram separados por categorias e
estão misturadas pessoas processadas com condenadas, jovens com adultos,
pessoas com deficiência física e idosos;
2
Seleccionar párrafo de destino3
Conectar a un párrafo
Connect to an entity
Disable highlights
Añadir a la tabla de contenidos