24 As ameaças provinham dos Serviços de Inteligência ou das Forças Armadas em geral. Houve uma época em que enviaram faxes a vários jornalistas e programas de televisão que, em geral, investigavam temas militares. Em um deles ficou registrado o número de onde foi enviado; depois de uma investigação jornalística, determinou-se que provinha de uma empresa cujo proprietário era o Coronel Rubén Wong. Ainda quando existia esta evidência, nem a Promotoria nem qualquer outro órgão iniciou o processo judicial correspondente. Em todos os casos de ameaças ou de campanhas de desprestígio, sempre existia o mesmo padrão; era sistemático. Desde 27 de março de 1998, e durante os oito meses seguintes, os jornalistas Angel Páez, chefe da unidade de investigação do jornal La República, José Arrieta, que foi chefe da unidade de investigação de Frecuéncia Latina, e ele, que havia sido editor de segurança do Semanário Caretas e colunista de La República, foram acusados de serem traidores da pátria e terroristas, por terem supostamente atacado as Forças Armadas e o senhor Montesinos. Obtiveram decisões favoráveis por parte de “duas das poucas juízas honestas do Poder Judiciário”. A Juíza Greta Minaya assinou a decisão de 10 de maio, a qual se deu a conhecer no dia 11. Em 12 de maio, foi transferida de cargo sem nenhuma razão. A outra juíza emitiu uma decisão similar, assinou seu parecer em 12 de maio, e o deu a conhecer esse mesmo dia e no dia seguinte, 13 de maio, também foi transferida de cargo. Com respeito à campanha de desprestígio, os jornais sensacionalistas tinham uma influência direta por parte do Exército. Foi demonstrado que haviam chegado, via fax, várias manchetes a um destes jornais da imprensa marrom, provenientes do gabinete do senhor Bresañe, responsável por relações públicas do Comando do Exército. Simultaneamente apareciam as mesmas notícias nos jornais, o que tornava óbvia sua procedência. Por outro lado, um grupo de trabalhadores de El Chato se demitiu e denunciou, com provas, que o proprietário daquele jornal recebia até US$6.000,00 (seis mil dólares dos Estados Unidos da América) por manchete publicada que chegava ao jornal, que por sua vez devia inventar a notícia correspondente. A ideia era exibir estes jornais como cartazes nos postos de venda. Outro método utilizado foi a publicação de um jornal apócrifo, chamado República. Para isso, copiaram a tipografia e o logotipo do jornal La República e começaram a distribuir gratuitamente exemplares nos quais atacavam os jornalistas e o proprietário do jornal original. A investigação de uma instituição estatal demonstrou que este jornal era editado e distribuído através de dois jornais da imprensa marrom comprometidos nesta campanha. Apesar de ter identificado a fonte, nunca houve uma investigação do Ministério Público, nem judicial, ainda quando se estava cometendo delito ao publicar o jornal apócrifo. Era notório o interesse em controlar a televisão. Para isso se utilizavam mecanismos econômicos contra as empresas. A Superintendência de Administração Tributária era particularmente estrita com quem era crítico do Governo, e extremamente liberal com quem não era. A publicidade estatal foi a mais importante em 1999 e a primeira metade de 2000, devido à crise e à recessão, mas foi usada com propósitos políticos e de pressão sobre os meios de comunicação; os adeptos do Governo recebiam informação privilegiada e os meios críticos não recebiam sequer a informação que devia ser pública. A atuação do aparato judicial também teve efeito intimidatório sobre o resto dos proprietários de meios de comunicação, que se atemorizavam quando se privava a algum deles da propriedade de seu veículo. Estes casos ocorriam de forma sistemática, não isoladamente. No plano do golpe de 1989, que não ocorreu até 1992, era previsto que se devia coordenar “com os responsáveis, empresários e promotores dos meios de comunicação, a autocensura e o marco de ação que lhes seria permitido nesta conjuntura”. A partir de dezembro de 1996, existiram os Planos

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