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várias empresas; entretanto, os governos do Paraguai e do Brasil combinaram em
deixar de lado a licitação pública e adjudicar diretamente a construção da obra em
“concessão beneficiária” a duas empresas: UNICOM por parte do Brasil e CONEMPA
por parte do Paraguai. O CONEMPA era uma sociedade de responsabilidade limitada,
integrada por cinco sócios, que representavam cinco empresas de construção. A
empresa CONEMPA, representada naquele momento pelo engenheiro Juan Carlos
Wasmosy, em virtude das circunstâncias da relação política existente entre o ditador
e os membros da empresa, conseguiu a adjudicação exclusiva das obras pelo lado do
Paraguai e também lhe foi adjudicada a construção de algumas obras do lado
brasileiro, através de suas cinco empresas. De acordo com o convênio entre o
Paraguai e o Brasil, o CONEMPA obteve 8% da construção e a UNICOM 92% da
construção.
A atuação da empresa CONEMPA era de interesse público, pois era a única empresa
que se encarregava da construção de Itaipu no Paraguai.
Um dos primeiros temas que a Comissão Bicameral de Investigação de Ilícitos
conheceu, foi a denúncia apresentada pela Central Unitária de Trabalhadores sobre
corrupção na construção da obra da hidroelétrica de Itaipu e a evasão sistemática de
impostos por parte da empresa CONEMPA. A Comissão Bicameral apresentou suas
conclusões ao Juizado de Primeira Instância Civil do Sétimo Turno, e
“acompanh[ou]” a Central Unitária de Trabalhadores a apresentar suas “conclusões”
perante a Promotoria Geral do Estado, nas quais esta última denunciou a corrupção
na construção da obra de Itaipu e a evasão sistemática de encargos fiscais com base
em uma concessão do então ditador da República, Alfredo Stroessner.
A construção da obra de Itaipu inicialmente foi estimada em um custo que oscilava
entre 2.3 e 2.8 bilhões de dólares; entretanto, finalmente, o custo ascendeu a
aproximadamente 22.3 bilhões de dólares. Além disso, diante de uma possível
licitação para a adjudicação de serviços de atendimento médico aos trabalhadores de
Itaipu, o CONEMPA organizou uma atividade de caráter assistencial médico e
conseguiram “algumas somas fabulosas”. A Comissão Bicameral de Investigação de
Ilícitos do Congresso Nacional considerou esta situação como a “maior expressão de
corrupção conhecida na história da República do Paraguai”.
A respeito da referida situação em Itaipu, foram apresentadas diversas denúncias
públicas, não apenas da Comissão Bicameral, mas também dos setores políticos da
oposição, através de diversos meios de comunicação, como os jornais “La Tribuna”,
“ABC”, “Última Hora”, “La Nación”, alguns semanários políticos como “El Pueblo” e o
semanário oficial do Partido Revolucionário Ferrerista, que se ocupavam do tema
apesar das restrições políticas que o regime lhes impunha.
Devido à sua capacidade intelectual e formação técnica, o senhor Canese colaborou
intimamente com a Central Unitária de Trabalhadores nas conclusões apresentadas à
a Promotoria Geral do Estado sobre a corrupção na construção de Itaipu e também
colaborou neste tema com a Comissão Bicameral de Investigação de Ilícitos. Era
importante que o senhor Canese tivesse viajado ao Brasil quando a Comissão
Bicameral o convidou a fazer parte da delegação que investigaria, in situ, a
corrupção em Itaipu. Nessa época, o senhor Canese oferecia assessoria à Comissão
Bicameral no tema concreto de Itaipu. A formação e capacidade do senhor Canese,
bem como sua dedicação à investigação dos fatos relativos à construção e entrada
em funcionamento de Itaipu, são fatos de domínio público. A testemunha não
exerceu a representação nem a defesa do senhor Canese.