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netas. Tentaram tirar uma de minhas meninas de sete anos da escola. Puseram uma pistola na
cabeça da Claudia e lhe disseram que ficasse calada, que […] não continuasse dizendo nada porque
senão iam machucá-la […]
[As autoridades realizaram atos de perseguição] porque nunca puderam me comprar, mesmo com
todas as coisas que me faziam para ter medo, […] por isso fui embora. […]
Tive que pedir a muitas pessoas que me ajudassem. Tive que vender comida na rua. Tivemos que
dormir na rua. Tivemos que estar em um local com os indigentes da rua. Creio que minha família
não merecia isto. Creio que as autoridades são tão culpadas de fazer com que eu tivesse que
emigrar para proteger a vida de minhas filhas e a minha própria […]. Fui embora em 4 de setembro
de 2006 e minha filha […] no ano passado, quando já não consegui suportar mais. […].
[As hostilidades se deram] desde o princípio, quando minha filha desapareceu, desde então eu me
senti com os pés e as mãos amarrados. 430
429. Em 9 de julho de 2007, Claudia Ivonne Ramos Monárrez, irmã da jovem Ramos,
declarou perante o Ministério Público que:
no dia 2 de maio de [2006], apresent[ei] uma denúncia sobre alguns veículos e pessoas que
andaram em minha casa perguntando onde eu vivia e com quem vivia e o que faz[i]a, e andaram
investigando minha vida […]. [A] denúncia foi feita perante a Procuradora e ela enviou ordens
expressas a [uma] funcionária [que] tom[ou] uma declaração e tudo era feito em sigilo […] [até]
agora não foi investigado nada; [além disso] […] há dois meses […] solicitei por escrito uma cópia da
denúncia que [inter]pus e me d[ei] conta que não era uma denúncia[,] [mas que] tomaram minha
declaração como testemunho e o anexaram ao inquérito […] de minha irmã Berenice Ramos […] [de
modo que] volto a solicitar que seja investigado [por que] funcionários judiciais e carros oficiais
estiveram diante de meu domicílio. 431
430. A família Ramos Monárrez solicitou asilo às autoridades estadunidenses. O Juiz que
decidiu sobre o pedido de asilo político baseou sua decisão, inter alia, na declaração de
várias testemunhas, que mencionaram que:
Há vários grupos que se manifestaram contra o feminicídio. Estes grupos realizaram protestos e
marchas. Um destes grupos foi ‘Integração de Mães por Juárez’, que foi fundada pela Senhora
Monarrez Salgado. [A declarante] tenta participar de uma reunião da organização. Antes de chegar,
alguns homens armados assaltaram os participantes, de modo que a reunião foi cancelada; 432
[…]
Prevalece, claramente, um clima de medo e intimidação contra as pessoas que se manifestam contra
os assassinatos e a falta de investigação relacionada com os homicídios das jovens mulheres em
Ciudad Juárez [...]. A senhora Monarrez Salgado se converteu em uma das familiares das vítimas de
feminicídio que mais se faz ouvir na hora de solicitar que a polícia investigue estes crimes […].
Questionou publicamente a competência da polícia, seu nível de compromisso para resolver crimes e
discutiu abertamente a possível participação direta da polícia no encobrimento dos feminicídios. […]
Participou de várias entrevistas nacionais e internacionais através de distintos meios de rádio, canais
de televisão e jornais. […] Os funcionários do governo e as pessoas diretamente vinculadas a ele
estão por trás das ameaças e atos de intimidação, dado seu interesse em silenciar o apoio aos
homicídios e as críticas em relação ao manejo dos casos de feminicídio por parte do governo. 433
431. Finalmente, o mesmo Juiz considerou os testemunhos da família Ramos Monarrez, os
quais qualificou como “consistentes e bem fundamentados pela prova documentada”. 434 Em
relação às declarações da senhora Monarrez afirmou que:
430
Cf. declaração prestada pela senhora Monárrez, nota 183 supra.
431
Cf. declaração de Claudia Ivonne Ramos Monárrez perante o agente do Ministério Público da Procuradoria
Geral de Justiça de Chihuahua em 9 de julho de 2007 (expediente de anexos à demanda, tomo X, anexo 91, folha
3544). Em relação a esta denúncia, ver também o pedido de cópia da denúncia por perseguição realizado em 25 de
agosto de 2006, por Claudia Ivonne Ramos Monárrez perante a Promotoria Especial de assassinatos contra
mulheres em 1° de maio de 2007 (expediente de anexos à contestação à demanda, tomo XXXVI, folha 13128).
432
Cf. United States Department of Justice, Executive Office for Immigration Review, written decision of the
Immigration Court, April 13, 2009 (expediente de mérito, tomo XIII, folha 4015).
433
Cf. written decision of the Immigration Court, folha 4023, nota 432 supra.
434
Cf. written decision of the Immigration Court, folha 4025, nota 432 supra.