43
que reconhecem sua identidade étnica e defendem [seus] interesses estratégicos”.40
Entretanto, quando a YATAMA participa de eleições regionais ou municipais, permite que
sejam candidatos membros de “todos os outros povos que não são indígenas, como os
mestiços”.41
124.13)
A organização YATAMA tem uma forma organizativa própria herdada de
seus antepassados, denominada “democracia comunitária”, a qual está baseada em
assembleias de comunidades e bairros, assembleias territoriais nos territórios indígenas
ou étnicos, e regionais na RAAN, RAAS e Jinotega.42 Cada assembleia comunal, instância
de decisão da comunidade e bairro, está integrada pela assembleia das famílias (Tawan
Aslika), ou seja, por todas as famílias indígenas ou étnicas pertencentes à comunidade ou
bairro, e a referida assembleia comunal está dirigida pelo Conselho Comunal (Wihta
Daknika), que é a estrutura executiva da assembleia.43
124.14)
As assembleias territoriais estão formadas pelos representantes das
assembleias comunais das comunidades e bairros indígenas e étnicos correspondentes
ao território e sua estrutura executiva é o Conselho Territorial. Cada comunidade designa
seus candidatos e os propõe à assembleia. A Assembleia territorial é a encarregada de
eleger os candidatos da YATAMA para cargos de vereadores perante o Conselho Regional
e o Conselho Municipal, bem como os candidatos a prefeito e vice-prefeito do território e
município que o integra. Reúne-se pelo menos duas vezes ao ano.44 As votações são
públicas. As pessoas eleitas vão às mesmas comunidades para se apresentar como
candidatos.45
124.15)
A assembleia regional está formada pelos representantes das
“assembleias territoriais das comunidades, ou bairros indígenas ou étnic[o]s” que
pertencem a determinada região. A assembleia regional aprova o programa eleitoral e
elege os candidatos da YATAMA para cargos de deputados perante a Assembleia
Cf. artigo 6 do Estatuto do YATAMA, de 20 de março de 2000 (expediente de anexos à demanda,
tomo II, anexo 9, folha 560).
40
Cf. testemunho do senhor Brooklin Rivera Bryan prestado perante a Corte Interamericana durante
a audiência pública realizada em 9 de março de 2005.
41
Cf. artigo 16 do Estatuto do YATAMA, de 20 de março de 2000 (expediente de anexos à demanda,
tomo II, anexo 9, folha 560); testemunho do senhor Brooklyn Rivera Bryan prestado perante a Corte
Interamericana durante a audiência pública realizada em 9 de março de 2005; e testemunho da senhora
Anicia Matamoros de Marly prestado perante a Corte Interamericana durante a audiência pública realizada
em 9 de março de 2005.
42
Cf. artigos 17 e 18 do Estatuto do YATAMA, de 20 de março de 2000 (expediente de anexos à
demanda, tomo II, anexo 9, folha 560).
43
Cf. artigo 20 do Estatuto do YATAMA, de 20 de março de 2000 (expediente de anexos à demanda,
tomo II, anexo 9, folha 565); testemunho da senhora Anicia Matamoros de Marly prestado perante a Corte
Interamericana durante a audiência pública realizada em 9 de março de 2005; e testemunho do senhor
Brooklyn Rivera Bryan prestado perante a Corte Interamericana durante a audiência pública realizada em 9
de março de 2005.
44
Cf. testemunho da senhora Anicia Matamoros de Marly prestado perante a Corte Interamericana
durante a audiência pública realizada em 9 de março de 2005; testemunho do senhor Brooklyn Rivera Bryan
prestado perante a Corte Interamericana durante a audiência pública realizada em 9 de março de 2005; e
declaração juramentada escrita do senhor Centuriano Knight Andrews prestada perante agente dotado de fé
pública (affidavit) em 14 de fevereiro de 2005 (expediente sobre exceções preliminares, mérito e
reparações, tomo III, folha 894).
45