-30No terceiro dia, os ataques se intensificaram. As autoridades juntaram os prisioneiros dos
pavilhões 6A, 6B e 5, que foram obrigados a sair para o pátio e sentar-se em fila sem se
mexer durante 18 horas. Durante esse tempo, a testemunha conseguiu escutar no noticiário
que o então Presidente Fujimori não tinha intenção de negociar. Ao fim da “operação”, a
testemunha escutou que o Coronel Cajahuanca, que estava no comando da operação, deu
ordem de matar todos os que se rendiam. Depois, os internos voltaram ao pavilhão 6A. O
pavilhão 1A ficou fechado durante dois ou três meses para ser reconstruído.
Por ter pertencido ao exército inglês e ter recebido instrução sobre armamentos, conhecia
as armas que foram utilizadas nos dias do ataque ao presídio, as quais tinham por objetivo
causar o maior dano possível. Também reconheceu os fardados que participaram do ataque,
os quais, além de pertencerem à Polícia e ao Exército, faziam parte das forças especiais de
assalto.
Considera que o ataque às mulheres foi premeditado. A força foi usada em escala massiva,
e foi programada para causar tantos mortos e feridos quanto fosse possível.
2.
Edith Tinta, mãe da suposta vítima Mónica Feria Tinta
Referiu-se à detenção de sua filha, que foi transferida para o Presídio Castro Castro uma
semana antes dos acontecimentos. Depois dos fatos no presídio, sua filha Mónica continuou
presa e incomunicável sem que os familiares pudessem entregar-lhe roupa, alimentos ou
livros.
Referiu-se à absolvição da filha em 1993, e ao que supostamente lhe teria acontecido
posteriormente.
A testemunha e seu esposo sofreram todo o tempo desde que a filha foi acusada de
terrorismo, passaram por alguns problemas de saúde, não puderam ver a filha durante
aproximadamente 14 anos, e suportaram todo tipo de injustiças e perseguições por parte
do Estado.
3.
Rubeth Feria Tinta, irmã da suposta vítima Mónica Feria Tinta
A testemunha e a mãe ficaram do lado de fora do Presídio Miguel Castro Castro esperando
receber informação sobre a situação da irmã. Os familiares dos internos eram retirados
pelos policiais mediante a utilização de gás lacrimogêneo e disparos. Sua mãe desmaiou e
vomitou por causa dos gases. Durante quatro dias houve detonações, explosões e disparos.
Presenciaram como o pavilhão 1A era totalmente destruído. Os familiares foram maltratados
quando se apresentaram no necrotério, e as autoridades se negavam a dar informação
sobre mortos e feridos. Ao fim do quarto dia de ataque, sua irmã foi trasladada para o
presídio de Santa Mónica. A partir daquele momento, não lhes permitiram visitá-la nem
fornecer-lhe roupa, alimentos ou medicamentos. Cinco meses depois, os familiares puderam
vê-la quando foi levada para uma diligência no Palácio da Justiça e, posteriormente,
conseguiram visitá-la no presídio de Santa Mónica por dez ou 15 minutos.
Após os fatos, a família Feria Tinta sofreu com a forma pela qual Mónica foi estigmatizada
nos meios de comunicação, especialmente a mãe, já que sofre de pressão alta e tem
dificuldade para dormir.
4.
Luz Liliana Peralta Saldarriaga, irmã da suposta vítima sobrevivente
Martín Peralta Saldarriaga