-51investigação, serão recebidos, “dentro do humanamente possível”, depoimentos de familiares das vítimas. PERÍCIAS Propostas pela interveniente comum 1. Nizam Peerwani, perito forense Referiu-se à extensão e à forma em que são realizadas as investigações forenses. Essas investigações devem incluir uma série completa de exames de raios X do corpo da pessoa falecida. Os raios X são muito importantes, porque documentam os ferimentos, o que permite fazer um prognóstico sobre o tipo de arma de fogo utilizada, e a presença de matéria externa no corpo, como balas, fragmentos de granadas ou metralhadoras. Também é importante tirar fotografias que documentem a identidade e os ferimentos da pessoa, de maneira que outro perito forense possa realizar uma avaliação independente. O exame forense deve ainda incluir a coleta, preservação e análise de amostras de sangue para estudos de toxicologia. As provas toxicológicas podem detectar substâncias e químicos no corpo, como abuso de drogas e inalação de fumaça ou de gás lacrimogêneo. Por exemplo, um exame toxicológico pode detectar se o fósforo branco foi usado para atear fogo no momento de provocar os ferimentos. Sem toxicologia, não se pode realizar uma verificação independente sobre o tipo de arma ou agente usado durante o assalto ou ataque. Para a investigação forense, também se deve recolher provas como cartuchos de balas ou fragmentos de metal, deixados depois do ataque, para oferecer informação precisa sobre o ataque e os ferimentos das pessoas. A prova recolhida deve incluir impressões digitais e a roupa dos falecidos. A roupa é a prova mais importante, porque é a que impede que a pólvora e a fumaça entrem em contato com o corpo. A avaliação forense de um corpo sem acesso à roupa é uma avaliação insuficiente. No presente caso, várias dessas análises forenses, tais como a análise da roupa dos internos e a coleta de amostra de ar e de gases do presídio no momento do ataque, já não podem ser realizadas, devido ao tempo transcorrido. Com relação à controvérsia quanto a se a “Operação Mudança 1” foi um ataque ou se se tratou de uma operação para controlar um motim na prisão, o perito realizou uma avaliação que incluiu: o tipo de arma utilizada, a gravidade dos ferimentos infligidos aos prisioneiros, o número de prisioneiros assassinados, o número de feridos graves e o número de policiais e membros do exército que foram feridos ou que morreram. Com base nessas circunstâncias, concluiu que o evento foi um ataque, e não uma operação para controlar um motim na prisão. Para chegar a essa conclusão, baseou-se no tipo de ferimento sofrido. Vários dos prisioneiros apresentaram ferimentos estranhos, como escoriações por arma de fogo, ferimentos nos pés, nas pernas, nas extremidades, e em outros ângulos não comuns. Com base nesses ferimentos, confirma-se o fato de que os prisioneiros se esquivaram de descargas de armas de fogo dirigidas a eles. A prova forense também sugere que alguns prisioneiros morreram em decorrência de explosões e queimaduras. Os prisioneiros também apresentavam ferimentos nas costas e nas extremidades, coerentes com disparos realizados ao acaso e de maneira imprudente. Também se referiu ao tipo de arma usada na prisão. A prova mais importante disponível mostra o uso de armas de ataque e de grande velocidade contra os internos. Especificamente, há prova que sugere e sustenta que cartuchos de 7,62 milímetros foram deflagrados contra os prisioneiros. As armas de grande velocidade provocam uma destruição muito grande nos tecidos, e um grande número de ferimentos internos no corpo. Além disso, essas balas de grande velocidade, que excede 700-1.000 metros por segundo,

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