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A testemunha solicitou à Corte que ordene ao Estado que os indenize pelas violações das
quais seu pai foi vítima, além de todos os danos físicos e psicológicos que eles continuam
suportando. Indicou que, quando seu pai desapareceu, a família “esgot[ou] todas as
economias.” Manifestou, também, que sua avó lhes ajudou enquanto eles trabalhavam
“com salários miseráveis [e como] indocumentados.” Ele e seus irmãos tiveram de “deixar
seus estudos e cancelar [seus] planos de vida por muitos anos”. Ademais, solicitou o
reembolso do lucro cessante de seu pai desde seu desaparecimento até a presente data.
Outrossim, manifestou que sua família se encontra “permanentemente em crise
econômica”.
O senhor Goiburú Benítez manifestou, inter alia, que deseja que a Corte lhe ajude a criar
uma Fundação e um Centro Médico Assistencial com o nome de seu pai, bem como um
refeitório para as “crianças de rua”. Além disso, solicitou que uma escola leve o nome de
seu pai e que se publique sua história.
Manifestou que “o Estado [deve assumir] sua responsabilidade [pelos] crimes de lesa
humanidade, reconhe[cer] o que fizeram contra [seu pai, sua mãe, contra ele e seus
irmãos] e […] esclare[cer]” o ocorrido ao seu pai. Outrossim, deve localizar e identificar
seus restos, “assumi[ndo] a investigação, a coleta de dados e materiais que sirvam para”
este fim. Solicitou à Corte que ordene ao Estado que este obrigue quem tem conhecimento
sobre o sucedido ao seu pai a “contar a verdade”. Finalmente, a testemunha solicitou à
Corte que “se faça justiça, que se apliquem medidas de reparação integral [e] que não se
repita esse tipo de crimes contra outros seres humanos”.
b)
Elva Elisa Benítez Feliu de Goiburú, esposa do doutor Agustín Goiburú
A senhora Benítez Feliu de Goiburú expressou que seu esposo se “manifestou contra os
abusos e arbitrariedades do regime”, motivo pelo qual “foi perseguido com tenacidade [e]
todos os dias seu domicílio estava sob cerco”. Outrossim, declarou que “quiseram indicia[la], com base na tortura de outros prisioneiros, como suposta criminosa terrorista, que
guardava armas de guerra em [seu] domicílio”. A senhora Benítez Feliu assinalou que se
dirigiu com seu esposo e filhos à Argentina, onde seu esposo trabalhou em política,
conformando o MOPOCO. Declarou que, estando na Argentina, ela e sua família “fo[ram]
objeto de perseguições contínuas e traiçoeiras, direta[s], por meio do cônsul paraguaio na
cidade de Posadas”. Declarou que, em novembro de 1969, seu esposo e filho “foram
sequestrados por uma embarcação da [M]arinha Paraguaia” e seu esposo foi levado ao
Paraguai, de onde escapou meses depois e se asilou no Chile, para depois voltar à Argentina
com sua família. Posteriormente, mudaram a outra província, onde seu esposo trabalhou no
Hospital de San Martín, do qual acabava de sair quando desapareceu.
A testemunha assinalou que iniciou as gestões de busca de seu esposo com a apresentação
de uma “denúncia perante a polícia, recorr[endo] depois aos Tribunais […mas] os resultados
[dessas gestões] foram negativos […], as autoridades paraguaias nunca [lhe] deram
resposta”. “Nunca mais pôd[e] localizá-lo ”.
A senhora Benítez Feliu de Goiburú declarou que seu esposo “era pai de família e, desse
modo, o que provia o sustento familiar”. Depois de seu desaparecimento, a família esgotou
“todas suas economias. [Seus] filhos tive[ram] de deixar os estudos e cancelar [seus]
planos de vida por muitos anos. [Apenas seu] filho Rogelio pôde terminar a faculdade
depois de um incrível sacrifício de penúrias e carências”. Além disso, manifestou que seu
esposo era muito emotivo e sensível, carinhoso, e também responsável e criterioso na
correta educação de seus filhos”. A testemunha manifestou que o desaparecimento do
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