-17- A testemunha solicitou à Corte que ordene ao Estado que os indenize pelas violações das quais seu pai foi vítima, além de todos os danos físicos e psicológicos que eles continuam suportando. Indicou que, quando seu pai desapareceu, a família “esgot[ou] todas as economias.” Manifestou, também, que sua avó lhes ajudou enquanto eles trabalhavam “com salários miseráveis [e como] indocumentados.” Ele e seus irmãos tiveram de “deixar seus estudos e cancelar [seus] planos de vida por muitos anos”. Ademais, solicitou o reembolso do lucro cessante de seu pai desde seu desaparecimento até a presente data. Outrossim, manifestou que sua família se encontra “permanentemente em crise econômica”. O senhor Goiburú Benítez manifestou, inter alia, que deseja que a Corte lhe ajude a criar uma Fundação e um Centro Médico Assistencial com o nome de seu pai, bem como um refeitório para as “crianças de rua”. Além disso, solicitou que uma escola leve o nome de seu pai e que se publique sua história. Manifestou que “o Estado [deve assumir] sua responsabilidade [pelos] crimes de lesa humanidade, reconhe[cer] o que fizeram contra [seu pai, sua mãe, contra ele e seus irmãos] e […] esclare[cer]” o ocorrido ao seu pai. Outrossim, deve localizar e identificar seus restos, “assumi[ndo] a investigação, a coleta de dados e materiais que sirvam para” este fim. Solicitou à Corte que ordene ao Estado que este obrigue quem tem conhecimento sobre o sucedido ao seu pai a “contar a verdade”. Finalmente, a testemunha solicitou à Corte que “se faça justiça, que se apliquem medidas de reparação integral [e] que não se repita esse tipo de crimes contra outros seres humanos”. b) Elva Elisa Benítez Feliu de Goiburú, esposa do doutor Agustín Goiburú A senhora Benítez Feliu de Goiburú expressou que seu esposo se “manifestou contra os abusos e arbitrariedades do regime”, motivo pelo qual “foi perseguido com tenacidade [e] todos os dias seu domicílio estava sob cerco”. Outrossim, declarou que “quiseram indicia[la], com base na tortura de outros prisioneiros, como suposta criminosa terrorista, que guardava armas de guerra em [seu] domicílio”. A senhora Benítez Feliu assinalou que se dirigiu com seu esposo e filhos à Argentina, onde seu esposo trabalhou em política, conformando o MOPOCO. Declarou que, estando na Argentina, ela e sua família “fo[ram] objeto de perseguições contínuas e traiçoeiras, direta[s], por meio do cônsul paraguaio na cidade de Posadas”. Declarou que, em novembro de 1969, seu esposo e filho “foram sequestrados por uma embarcação da [M]arinha Paraguaia” e seu esposo foi levado ao Paraguai, de onde escapou meses depois e se asilou no Chile, para depois voltar à Argentina com sua família. Posteriormente, mudaram a outra província, onde seu esposo trabalhou no Hospital de San Martín, do qual acabava de sair quando desapareceu. A testemunha assinalou que iniciou as gestões de busca de seu esposo com a apresentação de uma “denúncia perante a polícia, recorr[endo] depois aos Tribunais […mas] os resultados [dessas gestões] foram negativos […], as autoridades paraguaias nunca [lhe] deram resposta”. “Nunca mais pôd[e] localizá-lo ”. A senhora Benítez Feliu de Goiburú declarou que seu esposo “era pai de família e, desse modo, o que provia o sustento familiar”. Depois de seu desaparecimento, a família esgotou “todas suas economias. [Seus] filhos tive[ram] de deixar os estudos e cancelar [seus] planos de vida por muitos anos. [Apenas seu] filho Rogelio pôde terminar a faculdade depois de um incrível sacrifício de penúrias e carências”. Além disso, manifestou que seu esposo era muito emotivo e sensível, carinhoso, e também responsável e criterioso na correta educação de seus filhos”. A testemunha manifestou que o desaparecimento do

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