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c. Carência de um sistema integrado, unificado e programado no mais alto
nível governamental que permita contar com as armas suficientes para
combater em profundidade as organizações extremistas. (…)
e. Compreender que a luta que hoje devemos combater é para inteligentes,
quer dizer, combater em todos os aspectos da missão nacional (políticaeconômica-religiosa-intelectual-sindical e psicológica) (sistemas massivos de
comunicação social) com o claro conceito de que o êxito se baseará em 80%
de inteligência veraz e oportuna e apenas 20% de ação (execução).19
Depois de fazer uma longa análise sobre a situação da guerrilha no continente, o documento
exalta as virtudes do tradicionalismo e do nacionalismo paraguaio, com profusão de
expressões relativas ao “ser e existir nacional”, “supremos valores da paraguaidade”, “alma
da raça autóctona”, “concepção da terra e da Pátria”. Finalmente, estabelece estas
“recomendações”:
1. Intercâmbio direto de informação.
2. Contatos técnicos e pessoais.
3. Programar reuniões conjuntas para tratar questões de segurança das
áreas de YACYRETAAPIPE e CORPUS, em particular com a participação
de elementos de segurança da Empresa.
4. Intercâmbio de doutrina, organização e instrução.
5. Possibilidade de ampliar o caráter bilateral das Conferências de
Inteligência (…).20
As recomendações da delegação paraguaia não ficaram na mera expressão de desejos. Nos
meses seguintes –sobretudo nos dois anos posteriores– os agentes multinacionais da
Condor vigiariam, sequestrariam e executariam em todo o sul do continente sem terem as
fronteiras como obstáculos.
Em outubro de 1975, foi realizada, em Santiago do Chile, a “PRIMEIRA REUNIÃO DE
TRABALHO DE INTELIGÊNCIA NACIONAL”, com a participação de representantes de vários
exércitos sul-americanos.
Um documento de trabalho produzido pelo Departamento de Inteligência Nacional (DINA)
chileno, dirigido pelo Coronel Manuel Contreras Sepúlveda, permaneceu guardado nos
arquivos. Nesse documento –marcado como “SECRETO”- os donos da casa propõem
materializar o intercâmbio de informação criando um escritório de Coordenação e Segurança
que se sustentaria em três elementos básicos:
(…) A. Banco de Dados
Estabelecer em um dos Países que aqui se encontram representados um
Arquivo Centralizado de Antecedentes de Pessoas, Organizações e outras
Atividades, conectadas direta ou indiretamente com a Subversão.
Em linhas gerais, algo similar ao que tem a INTERPOL, em Paris, mas dedicado
à Subversão. (…)
B. Central de Informações
19
Cf. Arquivo 245 do “Arquivo do Terror”, pág. 1612, transcrito em Es mi informe, nota 11 supra, pág. 255.
20
Cf. Arquivo 1008 do “Arquivo do Terror”, pág. 1377, transcrito em Es mi informe, nota 11 supra, pág.
256.
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