-67vez que foi liberada, sofreu prisão domiciliar por oito meses. Anos mais tarde, voltou a ser detida pelas mesmas razões, e f) a família Goiburú Benítez vivia “permanentemente em alerta”, de maneira que todas as noites alguém da família devia ficar de guarda “pois eram frequentes as intimidações, passavam carros que disparavam com armas de fogo sobre o teto da casa, cortavam a luz, o telefone, gritavam com megafones, acendiam refletores e [os] intimavam a sair à rua. A perseguição e o assédio já eram insuportáveis, [e por isso o doutor Goiburú e seus dois filhos homens] decidi[ram] se esconder na selva Misionera […por] dois meses”. Além disso, a filha mais nova do doutor Goiburú sofreu uma tentativa de sequestro na casa da famíia em Posadas. 100. Da mesma forma, a Corte considera verificadas as situações vividas pelos familiares durante a detenção e desaparecimento dos senhores Goiburú Giménez, Mancuello Bareiro e Ramírez Villalba: a) quando os senhores Agustín Goiburú Giménez, Carlos José Mancuello Bareiro e os irmãos Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba desapareceram de maneira forçada, as senhoras Elva Elisa Benítez Feliu de Goiburú, Ana Arminda Bareiro de Mancuello e Fabriciana Villalba de Ramírez, bem como os senhores Julio Darío, Herminio e Mario Ramírez Villalba, empreenderam sua busca, e lhes foi negado constantemente o paradeiro de seus entes queridos; b) a senhora Gladis Ester Ríos de Mancuello, esposa de Carlos José Mancuello Bareiro, foi detida junto com seu esposo e sua filha de oito meses, Claudia Anahí Mancuello Ríos. Ademais, encontrava-se grávida no momento de sua detenção. Esteve detida em diversos lugares de 25 de novembro de 1974 até 12 de novembro de 1977. Posteriormente à detenção, “retiraram” dela sua filha de meses de idade, e apenas mais tarde, teve conhecimento de que havia sido entregue à sua sogra. Meses depois, quando sua sogra levou a sua filha à visita carcerária, a bebê não reconheceu a sua mãe. Enquanto esteve detida no Departamento de Investigações, não lhe permitiam comunicar-se com seu esposo, mas periodicamente trocavam olhares. Em maio de 1975, quando tinha aproximadamente seis meses de gravidez, foi trasladada deste departamento e não o viu nunca mais. A senhora Ríos de Mancuello passou a maior parte de sua segunda gravidez na prisão e deu à luz a seu filho Carlos Marcelo Mancuello Ríos em uma delegacia custodiada por oficiais de polícia. Ele foi criado por sua mãe na prisão onde nasceu, em um ambiente de insegurança e desproteção, durante seus primeiros dois anos e meio de vida, até que ela foi expulsa do Paraguai, depois de ter feito uma greve de fome, reclamando notícias de seu esposo; c) a mãe de Carlos José Mancuello Bareiro, a senhora Ana Arminda Bareiro de Mancuello, ao ter a notícia da detenção de seu filho Carlos, dirigiu-se ao Departamento de Investigações e à Central de Polícia, mas a expulsaram em várias ocasiões. Apenas um mês depois lhe informaram que seu filho, sua nora e sua neta estavam em uma prisão do Departamento de Investigações. Solicitou que lhe entregassem a sua neta de meses de idade, Claudia Anahí, e foi ela quem a criou enquanto sua nora esteve presa por quase três anos. A senhora Bareiro de Mancuello realizou sozinha todas as gestões, enquanto seu filho Carlos estava detido, posto que seu esposo, Mario Mancuello, e seu outro filho, Hugo Alberto, também foram detidos. Ela lavava a roupa suja de seu filho Carlos, e pôde ver as manchas de sangue, produto da tortura do mesmo. Meses depois de estar levando comida para seu filho, recebeu a notícia de que “havia fugido”;

Seleccionar párrafo de destino3

Conectar a un párrafo
Connect to an entity
Disable highlights
Añadir a la tabla de contenidos