15 Benjamín estava no pavilhão 2. Ali havia muitos internos, aproximadamente 15 pessoas em um quarto muito pequeno. O único banheiro estava na mesma cela. Seu irmão foi golpeado várias vezes durante a detenção, também recebeu “zagalotes”, e a ferida se infeccionou, já que não deixavam que seus familiares levassem medicamentos. Na penitenciária, não havia médicos nem nada. Benjamín também teve uma infecção intestinal durante a detenção e não recebeu atendimento médico. Ficou sabendo por alguns vizinhos que seu irmão estava morto. Os internos que se salvaram, como já os conheciam, começaram a gritar “procure-o no necrotério”. e) Declaração de Inocenta del Valle Marín, mãe de Edgar José Peña Marín Seu filho Edgar tinha 22 anos quando o assassinaram, sua causa estava sob investigação. Quando a testemunha ia visitá-lo recebia um tratamento muito ruim. Era completamente revistada, ordenavam-lhe tirar a roupa íntima, fazer força e pular. As condições em que seu filho vivia no Centro de Detenção Provisória de Catia “eram espantosas”. O lugar tinha um cheiro de fezes e urina, de esgoto. Os garotos detidos não tinham luz, de modo que eles mesmos faziam a instalação elétrica. Seu filho estava em uma sala de observação. Ali havia “cento e tantos homens” dormindo juntos “como sardinha em lata” e não tinham banheiro. Às vezes a testemunha levava comida para seu filho a cada oito dias, porque a comida do centro de detenção era muito ruim. Durante sua detenção, seu filho sofreu de amebíase, mas não recebeu atendimento médico. Os familiares tinham que levar coisas para que os internos pudessem se tratar. Depois de ficar sabendo do ocorrido no centro de detenção, a testemunha dirigiu-se imediatamente ao local. Ali foi informada que aqueles que queriam averiguar o paradeiro de seus familiares deviam se dirigir a um hospital ou ao necrotério. A testemunha não conseguiu encontrar seu filho nem no hospital nem no necrotério. Na quarta-feira, 1º de dezembro de 1992, foi visitar o centro de detenção, tentou levar comida a seu filho e tudo o que necessitava. Um dos companheiros de seu filho a recebeu e lhe disse que lhe haviam dado um tiro na cabeça e que, supostamente, havia sido dado por um funcionário que trabalhava ali. Com a assistência do COFAVIC, compareceu à Promotoria. Ali tinham uma lista de desaparecidos, mas seu filho não aparecia nela. Depois a chamaram para lhe dizer que o haviam enterrado no cemitério de Los Teques, onde o visitou para levar flores. Entretanto e apesar de todas as diligências que realizaram, não sabe se realmente está ali ou se foi levado pelo rio Guaire. Sua vida mudou desde que mataram seu filho, foi uma dor muito grande. Não chegou a vê-lo, nem sequer para lhe dar um último adeus. f) Declaração de Douglas Rafael Liscano Urbina, ex-interno Esteve preso no Centro de Detenção Provisória de Catia do mês de abril de 1988 até novembro 1992. Essa prisão era uma estrutura fria, nenhum ser humano devia pagar ali sua pena. Contava com cinco pavilhões em uma ala e cinco em outra ala, norte e sul, no meio, os refeitórios, e um alojamento pequeno onde colocavam maiores e menores de idade. Em cada andar havia 10 celas, nas quais havia 14 beliches, de modo que cada cela tinha capacidade para 28 internos, mas na realidade abrigava, pelo menos, de 60 a 70 presos. Os internos ficavam no chão e dormiam até no banheiro. No pátio havia uma quadra de esportes, que não servia porque era usada como lixeira; os internos jogavam seus resíduos no pátio. Os que faziam esportes ficavam doentes.

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