-15uma lição de vida […] para que nunca mais aconteça isso”. Era muito difícil suportar que lhe dissessem que seu irmão era terrorista e que “por isso havia morrido dessa maneira.” Também era desesperador ver como sua mãe se encontrava. “Às vezes, […] de madrugada [a] via[m] na varanda, esperando por ele”. Tiraram-lhe a vontade de sorrir e a vontade de fazer algo para si própria. Às vezes sentia que não estava preparada para tanta dor; inclusive chegou a pensar em suicídio diante de tanta injustiça. Entretanto, compreendeu que “a dor […] se transforma em força”. Não somente perd[eu] um ente querido, mas parte d[a] vida se foi com ele […] Como pensar em algum projeto pessoal se o assunto prioritário era o assunto de [seu irmão], de exigir justiça. [O]s projetos pessoais foram ficando em segundo plano […] Pens[ou] no suicídio porque sentia que já não aguentava mais. Por outro lado, com o pagamento da reparação ordenado pela sentença do foro militar, seus pais compraram a casa onde moram agora. Sente que não se obteve justiça porque compreende a justiça “como um todo, não pela metade”. Não haverá justiça até que todos os que tiveram responsabilidade sejam punidos. Portanto, solicitou à Corte que anule a sentença do foro militar, para que os que foram anistiados possam ser punidos. Além disso, solicitou que se desminta que seu irmão era terrorista; que o Estado assuma responsabilidade sobre todos os danos e que peça perdão. b) Dina Flormelania Pablo Mateo, tia de Heráclides Pablo Meza Morou com o sobrinho, o esposo e os filhos durante aproximadamente sete anos. Heráclides era um rapaz trabalhador e estudioso, que sonhava ter uma profissão. Soube do desaparecimento do sobrinho pelo jornal. Foi averiguar seu paradeiro, mas ninguém lhe dava informação; até “negavam o ataque à universidade”. Quando soube da descoberta das fossas pensou que era somente uma prisão ou uma casa, e acreditou que o sobrinho estivesse vivo. Foi ao lugar e encontrou os cadáveres queimados. Sentiu uma dor terrível. Conseguiu identificá-lo quando “viu o cabelo, as unhas [e] a roupa”. A perda do sobrinho a afetou muito e também a sua família. O coração não se esquece do que passou. Durante três meses teve de esconder a verdade do irmão, pai de Heráclito, porque “tinha medo de dizer-lhe […], já que […] sofre do coração”. Quando soube, sua reação foi de tristeza. Gastou o dinheiro de que dispunha fazendo despesas em busca de justiça. Portanto, teve de fechar sua tenda no mercado. Manteve guarda-costas por três ou quatro meses porque tinha medo de que alguma coisa lhe acontecesse, ja que “tinha de continuar andando, continuar procurando”. “Não há justiça, sempre escondem a justiça [.] Até que […] morra [vai] continuar procurando a verdade”. Solicitou à Corte Interamericana que obrigue que o Estado lhes “diga onde estão os restos mortais; […] onde estão suas cabeças […], onde os guardam”. c) Víctor Andrés Ortiz Torres, pai de Luis Enrique Ortiz Perea

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