-20direto com ele e com José Arrieta Matos, outro jornalista da revista “SI”. As informações prestadas por essa pessoa permitiram chegar às fossas de Ramiro Prialé, onde as supostas vítimas haviam sido enterradas. Teve de enfrentar vários obstáculos no âmbito de seu trabalho de investigação. De fato, “o Congresso da República aprovou, por ampla maioria, um acordo solicitando ao Ministério do Interior que oferecesse proteção policial aos três jornalistas da revista “SI”, autores da descoberta”. Durante a investigação jornalística sobre o Grupo Colina, foram “objeto de ameaças telefônicas, perseguição, escutas de [seus] telefones. No caso de La Cantuta, [foram] acusados de serem instrumentos do Sendero Luminoso, [e] membros do Serviço de Inteligência [solicitaram ao promotor Cubas] que se incluísse [a testemunha] na investigação como acusado”, o que foi negado pelo citado promotor. Esse caso é emblemático porque “o professor e os nove alunos foram em primeiro lugar designados arbitrariamente como terroristas e como autores do episódio do carro bomba da rua Tarata [e], sob essa presunção, sequestrados e vítimas de desaparecimento. [Além disso], foram torturados antes de serem executados. […] Foram objeto de três enterros […] e, finalmente, [a] forma sistemática e obstinada com a qual as mais altas autoridades do Estado […] tentaram ocultar e negar [tudo o que estava relacionado com os fatos] e ainda continuam fazendo”. j) General reformado Rodolfo Robles Espinoza, militar que denunciou o Grupo Colina e os serviços de inteligência no Peru No momento dos fatos era Comandante Geral da Terceira Região Militar do Peru e tinha a patente de General de Divisão. Inteirou-se da existência do Grupo Colina “em virtude [dos] fatos [de La Cantuta, já que] os oficiais e o pessoal auxiliar que trabalhavam ou tinham trabalhado com [ele] anteriormente, e que pertenciam ao Sistema de Inteligência do Exército, [o] informavam […] sobre a existência desse grupo ou esquadrão da morte [e] das diferentes ‘operações especiais de inteligência’ a ele atribuídas”. Esse grupo foi criado “no contexto da guerra contra o Sendero Luminoso sob o argumento inicial da pacificação nacional, utilizando como pretexto a necessidade de um grupo de análise de inteligência da documentação apreendida” dessa organização. Foi Vladimiro Montesinos quem impulsionou a criação do Grupo Colina “e a impôs ao Comandante Geral do Exército de 1991[, …] contando para isso com o apoio decisivo do Ministro da Defesa do Peru […] e com a anuência do Presidente Alberto Fujimori”. O Grupo Colina, “oficialmente, é um Destacamento de Inteligência Operacional, assim considerado nos quadros da organização e na estrutura orçamentária do Exército, como organização permanente, constituída por aproximadamente 50 efetivos […] treinados para a missão de realizar operações especiais de inteligência, entre elas, operações secretas. Em particular, foram utilizados como grupo de execução extrajudicial.” A relação do Grupo Colina com as Forças Armadas foi estabelecida por meio da DINTE (Direção de Inteligência do Exército), que é organizada em subcomandos para atender às diversas funções sob sua responsabilidade, e dispõe de um elemento operacional ou executor, que é o Serviço de Inteligência do Exército (SIE). “No SIE foi organizado formalmente o destacamento de Inteligência Operacional (cujos membros se

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